Para comandante, certificação dada pela ANAC ao Santos Dumont tem elementos faltando

Imagem: Divisão de Operações do ICA / DECEA

O Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, recebeu na última quinta-feira, 11 de agosto, a certificação operacional da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), indicando que o mais central dos terminais cariocas cumpre com todos os requisitos operacionais e de segurança.

No entanto, ainda há opiniões parcialmente divergentes quanto ao assunto. Em uma publicação na rede social de negócios Linkedin, o experiente piloto de linha aérea Paulo Licati, que também é CEO da GFX – Fatigue Risk Management – Gerenciamento de Risco de Fadiga Humana, comentou a certificação, indicando que podem haver elementos importantes deixados de lado.

Em sua publicação, o comandante analisa:

“Ficou faltando alguma coisa muito importante neste processo do Aeroporto Santos Dumont! Um caminho que a indústria aeronáutica esta tomando é a busca por desempenho e segurança. Isto ganha foco quando assistimos os fabricantes de aeronaves apresentarem tecnologia para a decolagem automática das aeronaves, que traz menores velocidades, aumento de peso de decolagem e ganho com relação ao cumprimento das pistas”.

Por outro lado, que já é uma realidade, assistimos a conclusão das obras de instalação do EMAS (Sistema de parada de aeronaves no final de pista) no aeroporto de Congonhas, uma ferramenta que traz segurança para os operadores e usuários.

“A RESA (Runway End Safety Area) é um requisito da ICAO, organização que o Brasil faz parte. Quando o aeroporto não tem condições geográficas para atender este requisito, pode apresentar um Nível de Equivalência de Segurança Operacional (NESO) para mitigar os riscos de saídas de pistas, como foi feito no aeroporto de Congonhas (SP) e como deveria acontecer no aeroporto Santos Dumont (RJ)”.

“Atuei nas operações da ponte área por 8 anos consecutivos e passei pelo caos aéreo gerado pelos dois últimos grandes acidentes da aviação civil brasileira. Como operador, defendo que todo equipamento disponível de segurança deve ser colocado a disposição. Espero que as autoridades não deixem passar esta grande sinergia e oportunidade para instalação do EMAS no Santos Dumont, o mais breve possível”.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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