
Durante a conferência Wings of Change da IATA, em Santiago do Chile, o Aviacionline entrevistou Roberto Alvo, CEO da LATAM Airlines, o maior grupo aéreo da América Latina.
Um dos temas centrais foi a crise do combustível, que afeta fortemente o setor aéreo devido à volatilidade dos preços causada pelo conflito no Oriente Médio.
Alvo ressaltou a importância de diferenciar o que é notícia sobre o preço do petróleo Brent do que realmente impacta as companhias aéreas, como o preço do querosene de aviação (Jet Fuel). “O Jet Fuel subiu muito mais do que o Brent, porque é um produto refinado que concorre com outros e tem uma cadeia logística diferente.”
Apesar do alerta, o CEO colocou a situação em perspectiva histórica, lembrando que preços elevados já ocorreram, como antes da crise de 2008. “Naquele momento, o petróleo chegou a 147 dólares e o Jet Fuel a 170. Hoje o Jet Fuel está mais caro, mas o petróleo não.”
Essa incerteza exige cautela. “Foi um aumento muito repentino e ainda não sabemos o que vai acontecer.” Porém, Alvo acredita que a LATAM está bem posicionada para enfrentar a crise, “no melhor momento da história da empresa.”
A abordagem é de “cautela e confiança”, mas ele avisa que o mercado se ajustará: “Esses aumentos de custo vão levar a tarifas maiores. Se os preços se mantiverem altos, a indústria tende a cortar voos, principalmente os não lucrativos, e reduzir a oferta até equilibrar a demanda.”
