Passados 60 dias, Itapemirim não voltou a voar e não pagou ‘ninguém’

A promessa de retornar aos céus 60 dias após a paralisação das operações não foi cumprida pela Itapemirim Transportes Aéreos, que também mantém altas dívidas com fornecedores e funcionários.

A empresa, que parou as operações em 17 de dezembro, já estava inadimplente à época. Um dos fatores que levaram à paralisação seria o não-pagamento pelos serviços prestados pelas terceirizadas da linha de frente nos aeroportos. Depois disso, a empresa anunciou diversas promessas, incluindo as vindas de seu presidente Sidnei Piva, que afirmou que a empresa pagaria a todos e que voltaria a voar em torno de 60 dias “para ser a melhor do Brasil”.

Passado o prazo, Piva sumiu, sendo uma de suas últimas aparições aquela no programa do Roberto Cabrini, da TV Record. Desde então, a empresa não tem mais dado respostas conclusivas aos funcionários demitidos voluntária (demitidos pela empresa) ou involuntariamente (os que pediram demissão), que não receberam salários e verbas rescisórias, e nem sabe quando receberão.

Também seguem sem informação os passageiros que não conseguiram viajar e não tiveram o dinheiro reembolsado, com reclamações até hoje aparecendo em sites de proteção ao consumo. Os credores, por sua vez, aumentam a pilha de processos contra a empresa, a fim de tentarem receber o que a aérea lhes deve.

As reclamações variam, e não existe nenhuma perspectiva de tempo para que essas dívidas sejam pagas. Apesar dos diferentes anúncios que a empresa fez (e faz) na mídia, sobre a compra de ônibus importados, fechamentos de contratos e promessas, poucos até agora viram a cor do dinheiro.

A situação não deve ser revertida tão cedo

Em comunicado enviado aos funcionários do setor rodoviário nesta semana, visto pelo AEROIN, a Itapemirim informou que conseguiu fazer o pagamento de salários de maneira parcial e dívidas trabalhistas atrasadas com os colaboradores da ativa, e que hoje (22) pagaria o adiantamento de fevereiro, porém, para outros valores pendentes as datas de quitação seriam divulgadas no futuro.

Ainda no setor de ônibus, uma greve está em curso no Ceará há quase uma semana, após o não-pagamento de salários, além de FGTS e INSS não recolhidos desde 2016. A justiça determinou que parte do serviço de transporte fosse mantido, mas a greve ainda continua.

No setor aéreo praticamente todos os aviões da empresa foram embora.

Carlos Martins
Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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