Passageira alega que comandante recusou desviar jato após ela sofrer reação anafilática

Boeing 737-900 da Delta Air Lilnes – Imagem: Andrew E. Cohen, CC BY-NC-ND 2.0, via Flickr

Uma passageira, que sofreu uma grave alergia a nozes durante um voo comercial, acusou os pilotos da aeronave de se recusarem a realizar um desvio médico de emergência. Segundo a mulher, ela sofreu uma reação anafilática a bordo.

O caso ocorreu no dia 17 de abril durante o voo DL-888 da Delta Air Lines, operado pelo Boeing 737-900 de matrícula N884DN, na rota de Atlanta para Portland, ambas cidades nos Estados Unidos. Segundo conta a passageira Sara Metzger, supostamente os pilotos ignoraram o conselho da equipe de serviços médicos da companhia aérea.

Em uma queixa oficial de oito páginas arquivada no Departamento de Transportes (DOT) dos EUA, o advogado de Metzger afirma que sua cliente teve a sorte de ter sobrevivido à “discriminação e retaliação flagrante e cruel” nas mãos da Delta.

Metzger sofre de uma alergia a amêndoa, com risco de vida, e diz ter um histórico de reações alérgicas graves a alérgenos transportados pelo ar. Antes de embarcar em seu voo em Atlanta, Metzger alertou a equipe do portão sobre seus problemas médicos e solicitou que amêndoas não fossem servidas no voo.

A passageira Sara Metzger

A equipe do portão atendeu ao seu pedido, entretanto, contrariando o acordo, após a partida, os comissários de bordo anunciaram que o serviço de lanche a bordo incluiria amêndoas.

Metzger diz que imediatamente alertou ao comissário de bordo mais próximo sobre sua alergia e a tripulação discutiu o fornecimento de uma zona intermediária de várias fileiras de cada lado dela ou apenas a troca de amêndoas por um lanche diferente em todo o avião.

Cerca de 15 minutos depois, no entanto, Metzger começou a se sentir mal. Ela podia sentir sua garganta começando a inchar e, ao sair do assento para pedir ajuda, notou passageiros nas fileiras imediatamente à frente e atrás dela comendo amêndoas distribuídas pelos comissários de bordo.

Metzger conseguiu autoadministrar uma dose de epinefrina que trouxera enquanto os comissários de bordo chamavam um profissional médico para ajudar. O medicamento é popularmente conhecido como adrenalina e usado como ajuda para combater reações alérgicas graves e casos de anafilaxia

Um cardiologista que estava viajando no voo se apresentou e se ofereceu para ajudar, mas Metzger diz que disse a todos que o avião precisava pousar o mais rápido possível para que ela pudesse ter acesso a ajuda médica especializada. Acredita-se que a equipe de serviços médicos da Delta também tenha aconselhado o mesmo plano de ação, conforme comenta o INSIDER.

O passageiro cardiologista teria discordado e alegado que não havia necessidade de desviar o avião. Metzger foi levada de volta ao seu assento, onde ela diz que sua condição começou a piorar, forçando-a a administrar uma segunda dose de epinefrina.

A equipe médica da Delta novamente aconselhou que o avião deveria pousar o mais rápido possível, de acordo com relatos de Metzger, mas o piloto supostamente ficou do lado do cardiologista e seguiu para Portland.

Ao aterrissar no destino, a passageira alega que a Delta negou seu acesso a tratamento médico, permitindo primeiro que todos os outros passageiros desembarcassem antes de permitir que os paramédicos embarcassem. Metzger teve que ser transportada para o hospital para atendimento de emergência.

Em depoimento, a passageira disse que “tinha medo de morrer no ar sem acesso a atendimento de emergência” e afirma que a Delta violou a Lei ao interferir em seu plano de ação contra alergia e atrasar seu acesso a tratamento médico de emergência.

Metzger está pedindo ao DOT que aplique uma multa à Delta e ordene que a companhia aérea melhore o treinamento da equipe para evitar um incidente semelhante no futuro.

Em um comunicado, um porta-voz da Delta nos disse: “Embora nós, infelizmente, não possamos responder a este evento específico, a segurança dos passageiros é a principal prioridade da Delta, e nossa tripulação é treinada e preparada para responder a eventos a bordo quando eles ocorrerem.”

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Juliano Gianotto
Juliano Gianotto
Com uma paixão pelo mundo aeronáutico, especialmente pela aviação militar, atua no ramo da fotografia profissional há 8 anos. Realizou diversos trabalhos para as Forças Armadas e na cobertura de eventos aéreos, contribuindo para a documentação e promoção desse campo.

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