
A Avelo Airlines, uma companhia aérea de baixo custo que rapidamente ganhou notoriedade nos Estados Unidos, se vê no centro de uma controvérsia envolvendo um contrato de deportação assinado com a agência de Imigração e Controle de Fronteiras (ICE) do Departamento de Segurança Interna.
O CEO da empresa, Andrew Levy, anunciou a formalização desse contrato, o que gerou indignação entre os clientes e ameaça de boicote à companhia.
Fundada durante a pandemia a partir de uma operadora de charter inativa que possuía um único e envelhecido Boeing 737-400, a Avelo começou suas operações em 2021, oferecendo voos saindo de Burbank, Califórnia, para 11 destinos.
Desde então, a companhia cresceu rapidamente, aumentando sua frota para 20 aeronaves que atendem a aeroportos em diversas regiões dos Estados Unidos.
Levy justificou a decisão de assinar o contrato com a ICE, afirmando que a operação de voos de deportação proporcionaria uma estabilidade financeira que garantiria a continuidade do crescimento da empresa e a manutenção dos empregos dos 1.100 funcionários da companhia.
Para esse fim, a Avelo utilizará três de seus Boeing 737-800 para a operação de voos de deportação a partir do Aeroporto Mesa Gateway, no Arizona, transportando até 189 deportados por voo para instalações do ICE no país e também para destinos internacionais.
Entretanto, a reação dos consumidores e da principal união de comissários de bordo dos Estados Unidos foi rápida e intensa.
De acordo com o PYOK, a Associação de Comissários de Bordo (AFA-CWA) solicitou que Levy reconsiderasse a decisão, classificando os voos de deportação como desumanos e ressaltando que essa nova direção já causou danos à reputação da empresa. Em uma resolução, a AFA-CWA disse que apoiará qualquer membro que tome medidas baseadas em objeções morais relacionadas aos voos de deportação.
Levy tentou acalmar as tensões, afirmando que a Avelo já havia operado alguns voos de deportação anteriormente, embora este seja o primeiro contrato de longo prazo firmado com a ICE.
Para endereçar as preocupações de comissários que se opõem a esse tipo de operação, a companhia planeja contratar profissionais extra para a execução desse serviço, embora ofereça os primeiros lugares na relocação para a base de Mesa aos comissários atuais, considerando que a função pode oferecer uma oportunidade financeira interessante.
