Pilotos da FAB explicam como funciona a guerra fictícia da qual estão participando no Chile

Piloto da Força Aérea Brasileira a bordo de um caça F-5 – Imagem: Força Aérea Brasileira

Durante o Exercício Multinacional Salitre 2022, que ocorre no norte do Chile, cerca de 40 aeronaves buscam aumentar a interoperabilidade entre Forças Aéreas participantes, realizando missões um cenário de conflito fictício. O exercício é um dos maiores treinamentos aéreos da América do Sul. 

Esse é o contexto vivenciado na terceira fase do treinamento de combate aéreo combinado. Nesta etapa, chamada de Live Exercise (LIVEX), as tripulações executam, durante cinco dias, as missões aéreas compostas, chamadas também de COMAO (do inglês Composite Air Operation), que envolvem Esquadrões em diversas ações simultâneas.

Na guerra simulada, a coalizão de países formada por Argentina, Brasil e Chile, com sede em Antofagasta, enfrenta uma força adversária formada por aviões de caça chilenos F-16, F-5 Tigre III e A-29 Super Tucano, operando a partir da Base Aérea de Los Cóndores, em Iquique.

Imagem: Força Aérea Brasileira

Do lado amigo, participam as aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) F-5M e KC-390 Millennium; da Força Aérea do Chile (FACh), F-16, F5 Tigre III e A-29 Super Tucano; e da Força Aérea da Argentina (FAA) IA-63 Pampa III e A-4R Fightinghawk; além de aeronaves chilenas de apoio ao combate FACh C-130 Hercules, KC-135E Stratotanker e helicópteros MH-60M Black Hawk e Bell 412.

O Major Aviador Freitas, do Primeiro Esquadrão do Décimo Quarto Grupo de Aviação (1º/14º GAV) – Esquadrão Pampa, teve a responsabilidade de representar a FAB como Mission Commander do Exercício, liderando 30 aeronaves no segundo dia de combate aéreo. Na ocasião, o Mission Commander brasileiro pôde aplicar todos os ensinamentos e as experiências ao longo da sua carreira operacional.

Caças F-16 da Força Aérea Chilena – Imagem: Força Aérea Brasileira

Segundo o Major, a missão foi um sucesso. “Atribuo esse resultado também aos pilotos do Esquadrão Pampa e do 1° Grupo de Aviação de Caça (1° GAVCA) que demonstraram alta competência operacional desde o planejamento da missão até a execução do voo”, pontuou.

Ainda de acordo com o Oficial, o desenlace demonstrou aos países participantes que os pilotos de caça de ambos os Esquadrões de F-5M estão bem treinados e prontos para cumprir a missão de manter a soberania do espaço aéreo brasileiro. 

Mission Commander da FAB ressaltou, ainda, o orgulho de conquistar a superioridade aérea nos primeiros 15 minutos de combate, no voo de segunda-feira (17/10). “Na missão, permitimos que as aeronaves de ataque A-4, IA-63 e A-36 de Argentina e Chile pudessem realizar seus ataques simulados sem qualquer ameaça”, comemorou.

Caças F-5 da Força Aérea Brasileira – Imagem: Força Aérea Brasileira

Já o Capitão Aviador Ticianelli, também do Esquadrão Pampa e Mission Commander, reforçou que essa fase contempla a coordenação entre os participantes para cumprir diversos tipos de missões, como ataque, escolta, supressão e defesa aérea e reabastecimento em voo.

Nesta fase, há a atuação dos Mission Commander, que são os coordenadores de missão, que tem como principal função definir táticas e adequar responsabilidades para garantir a segurança das operações e também para garantir o cumprimento dos objetivos de cada participante”, acrescentou.

O foco é conseguir que todos os países participantes possam atuar de forma conjunta com a mesma doutrina e a mesma filosofia de combate. A cada dia um país diferente será o coordenador da missão, de forma que a gente consiga trocar experiências e conhecimentos”, continuou o Capitão Ticianelli.

Ao fundo MH-60M Black Hawk chileno e a frente um caça F-16 da Força Aérea Chilena – Imagem: Força Aérea Brasileira

Além dos Mission Commander e dos outros pilotos de caça, outra peça fundamental nesse cenário é o pessoal da manutenção das aeronaves. O Suboficial Anderson Medeiros da Silva, do Grupo Logístico da Base Aérea de Santa Cruz (GLOG-SC), ressalta que as missões de COMAO na Salitre tratam-se de um teatro de operações em solo estrangeiro que possui suas próprias adversidades.

De imediato, podemos aperfeiçoar nossa capacidade de pronta-resposta logístico, operacional e de adaptabilidade ao terreno. Segue-se que uma operação desta magnitude, enseja uma excelente oportunidade para uma possível correção de rota em nosso modo de operação, face a troca de experiências com mantenedores de outras forças aéreas, além de integrar ainda mais nossas equipes de manutenção”, diz.

Soma-se a isso, a alegria de estreitarmos, ainda mais, nossos laços de fraternidade com os povos do Chile e da Argentina, bem como dos Estados Unidos, Canadá, Peru, México e Uruguai“, finalizou o Suboficial.

Informações da Força Aérea Brasileira

Para saber mais sobre o exercício, clique nos títulos abaixo:

Juliano Gianotto
Juliano Gianotto
Ativo no Plane Spotting e aficionado pelo mundo aeronáutico, com ênfase em aviação militar, atualmente trabalha no ramo de fotografia profissional.

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