Pilotos de voo comercial russo desviam o curso após encontro inesperado com avião-espião

Um voo da empresa aérea russa Aeroflot teve que desviar seu curso para evitar um encontro com uma aeronave espiã da OTAN, reportou a agência responsável pela regulação da aviação na Rússia (Rosaviatsia). O incidente foi reportado no dia 3 de dezembro, quando o voo SU-501, de Tel Aviv a Moscou, sobrevoava o Mar Negro.

Um porta-voz da Rosaviatsia disse à agência de notícias russa RIA que a aeronave da OTAN, um jato executivo modificado do modelo CL-600, mudou repentinamente de altitude e entrando no caminho do jato comercial, um Airbus A330 com 142 passageiros. Segundo o relato, os controladores de tráfego aéreo russos tentaram se comunicar com o voo da OTAN, mas não conseguiram uma resposta.

De acordo com dados da plataforma de rastreamento de voos FlightRadar24, o jato da Aeroflot desceu de 35.000 para 31.000 quando estava a aproximadamente 70 quilômetros da costa turca. Mais tarde, após ter passado pelo tráfego militar da OTAN, o voo 501 voltou a subir para um nível superior de voo.

A Rosaviatsia disse que os pilotos russos conseguiram visualizar pela janela o momento em que o jatinho espião cruzou seu caminho. A autoridade da aviação também disse que vai protocolar uma nota de protesto em relação ao incidente. Segundo ela, voos intensivos de aeronaves da OTAN perto da fronteira com a Rússia estão colocando em risco as aeronaves civis. 

Numa outra matéria, publicada pela agência de notícias estatal russa TASS, consta a informação de que, no mesmo dia, caças Sukhoi Su-27 e Su-30 decolaram para interceptar duas aeronaves de reconhecimento da OTAN sobre o Mar Negro: um CL-600 Artemis (que pode ser o mesmo do incidente com o Aeroflot) e um Boeing RC-135. Segundo informações do Ministério da Defesa da Rússia, citadas pela TASS, os caças impediram que os aviões americanos violassem a fronteira russa e voltaram à base.  

Devido a se tratar de aeronave militar em missão, o CL-600 não pode ser monitorado pelas ferramentas tradicionais como o Radarbox ou o Flightradar24. Da mesma forma, a OTAN não se pronunciou sobre o ocorrido.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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