Pilotos reagem a pedido de prorrogação para inclusão de segunda porta do cockpit em novos aviões

Divulgação – Ryanair

Pilotos e comissários de voo nos Estados Unidos expressaram descontentamento em resposta a um pedido de uma importante associação do setor aéreo que busca adiar a implementação de uma nova legislação que exige que aeronaves tenham duas portas no cockpit.

Em 2023, a Administração Federal de Aviação (FAA) concedeu às companhias aéreas e fabricantes de aeronaves um prazo de dois anos para começar a instalar a segunda porta em novos aviões. No entanto, com o prazo se aproximando, a indústria solicita uma extensão de 24 meses.

A associação Airlines 4 America (A4A), com sede em Washington, apresentou uma petição à FAA alegando que a indústria precisa urgentemente de mais tempo para desenvolver materiais de treinamento e implementar a formação para dezenas de milhares de tripulantes nos EUA.

Conhecida tecnicamente como “Barreira Secundária Física Instalável” (IPSB, na sigla em inglês), a segunda porta será posicionada entre a galley frontal e a porta principal do cockpit, que é à prova de balas.

Na maioria das vezes, a IPSB ficará aberta, mas sempre que um piloto precisar deixar o cockpit durante o voo, por exemplo, para ir ao banheiro ou fazer um café, a porta será fechada e trancada para evitar uma violação da segurança do cockpit.

A exigência da instalação da IPSB foi aprovada pelos legisladores dos EUA em 2018, quando foi sancionada a Lei de Reautorização da FAA, mas a implementação da norma necessária foi ignorada pela administração do ex-presidente Trump.

Durante o governo do presidente Biden, no entanto, a legislação foi reativada, exigindo que novas aeronaves “fabrica novas” entregues às companhias aéreas dos EUA tenham uma IPSB instalada a partir de agosto de 2025.

Embora as novas aeronaves devam ser entregues com as IPSB a partir do prazo estabelecido, a A4A, que representa grandes companhias como American Airlines, Delta e United Airlines, deseja que as IPSB fiquem inativas pelos próximos dois anos.

Jason Ambrosi, presidente da Air Line Pilots Association (ALPA), criticou essa tentativa de adiamento: “As companhias aéreas tiveram dois anos para implementar a regulamentação, mas agora estão tentando atrasar ainda mais esse necessário aprimoramento da segurança na aviação.”

Ele também pediu à FAA que rejeitasse essa tática de procrastinação e implementasse sem demora a exigência da barreira secundária, conforme mandou o Congresso. “À medida que nos aproximamos do 24º aniversário do 11 de setembro, é imperativo que continuemos a honrar aqueles que perdemos implementando uma regulamentação crítica de segurança na aviação destinada a prevenir a repetição daquele dia fatídico,” acrescentou Ambrosi.

Esse sentimento foi compartilhado pela Associação de Comissários de Voo (AFA-CWA), que representa 85.000 membros da tripulação em todo os Estados Unidos. “Não há justificativa para permitir que as companhias aéreas deixem qualquer IPSB devidamente funcional sem uso,” disse o sindicato em um comentário à FAA. “Um ataque terrorista bem-sucedido em uma aeronave com uma IPSB não utilizada seria inaceitável.”

A AFA observa que dezenas de milhares de comissários de voo precisarão não apenas completar um curso online sobre o uso das IPSB, incluindo assistir a um vídeo, mas também participar de treinamento prático, o que pode aumentar significativamente o tempo e os custos para as companhias aéreas implementarem esse treinamento. Atualmente, os comissários de voo nos EUA normalmente bloqueiam o cockpit com um carrinho de bebidas sempre que a porta da cabine precisa ser aberta durante o voo.

A ALPA, que representa os pilotos da United Airlines, alerta que “incidentes com passageiros indisciplinados e tentativas de violação continuam a ocorrer regularmente.” A regra da IPSB aplica-se apenas a aeronaves recém-construídas e não será exigida para aviões já em serviço.

Embora a instalação de IPSB em aeronaves mais antigas seja tecnicamente possível, as companhias aéreas provavelmente não farão esse tipo de investimento.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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