Por que os grandes aviões que resgatam os afegãos são chamado de Alce

Apelidos incomuns para aviões não são algo difícil de se encontrar na aviação, mas a história por trás deles é o que os torna especiais. Isso inclui o gigante cargueiro Boeing C-17 Globemaster III, que é apelidado de “Alce”.

Divulgação – OTAN

Nas últimas semanas, o “Alce” tem sido o principal vetor usado para retirar pessoas do Afeganistão, principalmente os exemplares operados pelos EUA, mas também há aqueles a serviço do Reino Unido, Austrália, Catar, OTAN e outros. Sua grande capacidade de carga se mostrou essencial na evacuação de Cabul após a ascensão do Talibã e, logo nos primeiros dias desde o início da evacuação, um dos voos levou mais de 800 pessoas, batendo um recorde para o modelo, que está acostumado a levar não mais do que uma centena de soldados.

Apesar de ter sua produção encerrada em 2015, o avião tem grande presença no mundo, sendo a maior frota a da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), onde o C-17 é uma das espinhais dorsais do transporte aéreo, estando presente em 20 esquadrões diferentes. Durante a evacuação do Afeganistão, no entanto, algo chamou a atenção de quem acompanha pelas plataformas de rastreamento de voos: os indicativos de chamada do rádio eram apenas dois.

Um deles, e mais utilizado, é o Global Reach, ou apenas Reach. Ele siginifica “Alcance Global”, destacando a capacidade da USAF de operar em qualquer lugar do mundo. Este código é utilizado pelos aviões e esquadrões submetidos ao Comando de Mobilidade Aérea, que é a organização militar americana dentro da USAF focada no deslocamento de pessoal e equipamento de outras forças armadas.

Enquanto isso, o outro código de chamada identificado é Moose, ou “Alce” em inglês. Este código é do 58º Esquadrão de Transporte Aéreo, parte do Comando de Educação e Treinamento da USAF. O apelido no entretanto não tem a ver com o fato do animal ser grande igual o avião, mas sim pelo som.

No vídeo acima, um alce se comunica com outro gerando um som bem estranho e específico, que inclusive ecoa por centena de metros. Este som se assemelha com o som que as válvulas de alívio de pressão dos tanques do C-17 fazem durante o reabastecimento em solo, como mostrado abaixo pelo Esquadrão de Demonstração Aérea do C-17 na Costa Oeste, que confirma a teoria do som do Alce.

Não está claro quem fez esta associação sonora primeiro, mas o apelido começou a circular entre as tripulações do C-17 e acabou pegando, assim como o caça F-16 é chamado de Víbora (Viper) e o A-10 de Javali (Warthog) pela sua aparência exótica.

Como a USAF sempre é aberta para incorporar apelidos e ícones da cultura americana, não foi difícil tornar o Alce como nome oficial da aeronave e indicativo de chamada.

Carlos Martins
Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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