Portugal compra helicópteros americanos para substituir modelo russo

O governo português bateu o martelo e decidiu por um modelo americano para substituir os helicópteros russos de combate a incêndio que estão parados há anos.

Divulgação – Lockheed Martin

O anúncio foi feito ontem, 30 de agosto, pela Força Aérea Portuguesa, que informou que “adquiriu seis helicópteros bombardeiros médios, Sikorsky UH-60 Blackhawk, através do concurso público autorizado com o intuito de integrar os meios próprios do Estado no combate aos incêndios rurais”.

O Blackhawk em questão é o S-70 Firehawk, derivado direto do helicóptero militar UH-60, amplamente utilizado nos EUA e no Brasil, além de membros e aliados da OTAN. A aeronave substituirá o Kamov Ka-32 adquiridos em 2006 e que nos últimos anos, bem antes da invasão da Ucrânia pela Rússia.

Portugal tem tido problemas de peças e fornecedores, e vinha mantendo boa parte da frota de seis helicópteros russos parada, situação que se complicou com as sanções contra Moscou. Os helicópteros tiveram sua licença de operação suspensa em março.

Segundo a Kamov, o Ka-32 pode levar até 5 mil litros de água, sendo 3 mil deles internamente com abastecimento de 90 segundos, e o restante externamente no tradicional bolsão. Já o helicóptero americano conta apenas com tanque interno de 3.785 litros que pode ser reabastecido em 60 segundos, mas nas versões normais do Blackhawk também pode ser equipado com o bolsão para até 2.900 litros.

A grande diferença dos dois é o seu propósito original: O Kamov foi feito para ser utilizado em navios de ataque e porta-aviões, para guerra antissubmarino e trabalhos especializados, tendo um tamanho bem compacto, com motores contra-rotativos que dispensam o rotor de cauda, e grande capacidade de içamento de cargas.

Já o Blackhawk nasceu como substituto do lendário Huey da Guerra do Vietnã, sendo um helicóptero de transporte para o Exército Americano, com grande capacidade interna, maior autonomia e tamanho.

Ainda assim ambas as aeronaves são reconhecidas pelo trabalho de combate a incêndio, sendo o Ka-32 uma peça chave no combate aos incêndios europeus, e o Firehawk na Califórnia.

O contrato assinado por Portugal inclui o fornecimento de material e ferramentas, apoio técnico de manutenção até 2026 e formação para seis pilotos e 21 mecânicos. A entrega dos dois primeiros helicópteros está prevista para o 1º trimestre de 2023. A aquisição é financiada em cerca de 81% por fundos comunitários, através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Carlos Martins
Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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