
Um político do Congo está sendo cobrado por uma dívida milionária por deixar um Boeing 727 parado em um aeroporto português por quase 20 anos.
A aeronave é um 727-100, fabricado em 1965 para a Lufthansa e com número de série 18371. Na década de 80, o trijato foi convertido para serviço VIP, tendo voado para o governo do Sultão de Brunei e para a Malásia. No início de 2007, a aeronave foi comprada pelo governo do Congo, onde recebeu a matrícula 9Q-CMC, e era utilizada pelo então senador Jean-Pierre Bemba, que se tornou político após fazer parte de um grupo rebelde que promoveu uma limpeza étnica no Congo no início do milênio, durante a Segunda Guerra do Congo.
Por causa dessas ações, que incluem massacres e estupros coletivos, Bemba foi condenado no Tribunal Penal Internacional e preso em Bruxelas, logo após dar entrada na Europa por Portugal, onde deixou o 727 governamental no Aeroporto de Faro. O político ficou preso por 10 anos, até ser libertado em 2018, quando acabou retornando para a República Democrática do Congo e voltou a exercer funções políticas.
Porém, o jato Boeing 727 já não voava mais e, após a sua prisão, não foi mantido em condições de voo, mas ainda ocupa parte do espaço do pátio do Aeroporto do Faro, somando uma multa de 1 milhão de euros pelos 19 anos parado no local. Esta semana, a ANA, administradora dos aeroportos portugueses, notificou Bemba para pagar a dívida e retirar o jato em até 60 dias. Do contrário, será declarado o perdimento do bem, que será transferido ao governo português, que provavelmente venderá o avião como sucata ou o doará a alguma instituição.





