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Promotores acusam Rússia de atrapalhar investigações sobre o abate do Boeing 777 da Malaysia

Promotores holandeses acusaram a Rússia de tentar sabotar a investigação sobre a queda do voo MH17 da Malaysia Airlines na Ucrânia em 2014, dizendo que isso lançou “uma sombra negra” sobre o julgamento atual de quatro suspeitos.

Boeing 777-200 da Malaysia Airlines – Imagem: Masakatsu Ukon [CC]

As audiências pré-julgamento começaram em Amsterdã nessa segunda-feira (09). Os promotores dizem que os três russos e um ucraniano que são réus ajudaram a organizar o sistema de mísseis russo que abateu o Boeing 777. Todas as 298 pessoas a bordo foram mortas, a maioria era de cidadãos holandeses.

“A soma de todos os fatos lança uma sombra sobre esta investigação, porque há fortes evidências indicativas de que o governo russo está interessado em frustrar a investigação”, disse o promotor Thijs Berger na audiência, parte da qual se concentrou no testemunho de pessoas que ainda não foram nomeadas.

“Várias testemunhas nesta investigação disseram que temem por suas vidas se suas identidades vierem à tona”, disse ele na terça-feira.

Uma equipe de pesquisadores internacionais em maio de 2018 concluiu que o lançador de mísseis que abateu a aeronave pertencia à 53ª Brigada de Mísseis Antiaéreos da Rússia. O país nega qualquer envolvimento.

Os países participantes da investigação – Ucrânia, Holanda, Austrália, Malásia e Bélgica – concordaram em 2017 em realizar julgamentos na Holanda de acordo com a lei holandesa, após tentativas de estabelecer um tribunal apoiado pela ONU, que sucumbiu à oposição russa.

Os réus, os russos Sergey Dubinsky, Oleg Pulatov e Igor Girkin e o ucraniano Leonid Kharchenko, ocuparam altos cargos em milícias pró-russas no leste da Ucrânia em 2014, segundo os promotores.

Na segunda-feira, os juízes decidiram que o julgamento continuaria com os suspeitos ausentes. Apenas Pulatov nomeou advogados de defesa. A advogada de defesa Sabine ten Doesschate disse ao tribunal na terça-feira que seu cliente “não tem nada a ver” com a queda do avião. Ela disse que Pulatov não havia decidido se poderia dar uma declaração ao tribunal.

Destroços do 777 derrubado pelo míssil

Um segundo advogado de defesa, Boudewijn van Eijck, criticou as declarações do promotor sobre a Rússia. Ele disse que possíveis testemunhas de defesa podem ser influenciadas por comentários sobre intimidação, passando a ter medo de continuar a participar. “Lamentamos que isso tenha sido discutido publicamente”, disse ele.

Van Eijck também questionou as acusações de que a Rússia havia montado uma campanha de desinformação sobre o acidente e tentou minar a investigação. “A Federação Russa cooperou na liberação de documentos judiciais”, disse Van Eijck. “Tudo o que foi pedido à Federação Russa foi entregue.”

Os promotores disseram que uma testemunha já recebeu proteção. Ele foi descrito como M58, um cidadão russo que se ofereceu para se juntar aos rebeldes ucranianos.

O promotor Dedy Woei-a-Tsoi disse que a declaração do M58 era de que ele estava ajudando a proteger o local do lançador no momento em que o míssil fatal foi disparado. Ela disse que a testemunha evidenciou que o pessoal militar russo e os separatistas no local estavam “inicialmente satisfeitos” ao receberem a informação de que o tiro que tinham atingido um avião de transporte militar.

“No entanto, quando as primeiras pessoas voltaram do local do acidente, disseram que era uma aeronave civil”, disse Woei-a-Tsoi, apresentando o testemunho em vídeo do M58.

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