
A decisão da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) de autorizar a American Airlines a operar seus novos aviões Boeing 787-9 Dreamliner com sete comissários de bordo, ao invés de oito, tem provocado forte reação entre os profissionais da categoria.
A Associação dos Comissários de Bordo Profissionais (APFA), que representa os tripulantes da companhia, acusa a medida de comprometer a segurança de passageiros e da própria tripulação em caso de emergência.
Atualmente, a norma da companhia prevê o mínimo de um comissário por porta de emergência em sua frota de Boeing 787. Com a autorização da FAA, essa proporção será rompida, obrigando, por exemplo, um único tripulante a assumir a responsabilidade por duas saídas de emergência situadas na parte traseira da aeronave.
O novo modelo da American Airlines, identificado internamente como 787-9P, foi configurado com foco no público premium, o que resultou em alterações no layout interno e maior densidade na classe econômica.
A estreia da aeronave ocorreu recentemente na rota entre Chicago-O’Hare e Londres-Heathrow, marcando uma atualização significativa no produto de bordo da companhia, que agora oferece 51 assentos na classe executiva, incluindo quatro suítes preferenciais com mais espaço e privacidade.
Embora a empresa afirme que não pretende escalar voos regularmente com a nova tripulação mínima, a permissão da FAA abre essa possibilidade em situações emergenciais, como a ausência de um comissário em locais onde não há reposição disponível.
A APFA, no entanto, considera esse argumento insuficiente e alerta que a decisão representa um precedente perigoso para a segurança operacional.
“A redução da tripulação em aeronaves de grande porte para menos de um comissário por saída de emergência representa um risco claro à segurança”, afirmou o sindicato em nota enviada aos seus membros. Segundo o comunicado, a mudança faz com que um único tripulante seja responsável por evacuar centenas de passageiros por duas portas em lados opostos do avião, algo inédito até então.
Diante da aprovação da FAA, o sindicato planeja acionar parlamentares em Washington para tentar reverter a decisão e garantir o que considera um padrão mínimo de segurança para passageiros e profissionais.
A FAA já havia concedido aprovações semelhantes a outras companhias norte-americanas. A United Airlines, por exemplo, recebeu permissão para operar seus Boeing 787, incluindo o modelo 787-10, com o mesmo número reduzido de tripulantes.
A Delta Air Lines também foi autorizada a operar aviões Airbus A330 com apenas seis comissários. Para o sindicato da American, a companhia perdeu a oportunidade de se diferenciar dos concorrentes ao adotar um padrão mais elevado de segurança.
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