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Os resultados da TAP Air Portugal no 1º trimestre de 2021

Avião Airbus A330-900 A330neo TAP Air Portugal
Imagem: Will Recarey / Vinci Airports

A Transportes Aéreos Portugueses (TAP) informou ao mercado em geral no domingo, 30 de maio, sua atualização operacional e financeira referente ao 1º trimestre de 2021, encerrado em 31 de março. Como você poderá ver a seguir, o resultado foi um prejuízo líquido de € 365,1 milhões.

A empresa ressalta que a informação financeira contida no comunicado refere-se às demonstrações consolidadas não auditadas da TAP preparadas de acordo com as Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS) tal como adotadas pela União Europeia.

A TAP descreve que a pandemia do coronavírus continuou a atrasar a recuperação da demanda, com aumento de casos e novas restrições de viagens durante os primeiros três meses de 2021. Embora a demanda tenha dado alguns sinais de recuperação em janeiro, restrições adicionais a voos e mobilidade de pessoas foram impostas em fevereiro e março nos países onde a TAP opera, obrigando um reajuste rapido de sua capacidade.

Assim, em 31 de janeiro, a TAP anunciou a suspensão de 93% da sua operação durante o mês de fevereiro de 2021.

Durante o primeiro trimestre de 2021 (“1T21”), as reservas futuras e as taxas de ocupação foram impulsionadas pelo tráfego de lazer em rotas europeias de curta distância e tráfego de amigos e parentes (VFR) em rotas de longa distância, o que contribuiu para manter as taxas de ocupação estáveis no período em comparação com o quarto trimestre de 2020 (“4T20”) – ainda assim, a capacidade (medida em ASKs – assentos vezes quilômetros disponíveis nos voos) no 1T21 foi quase a metade da do 4T20.

Respondendo ao atraso da recuperação pelo novo aumento de casos COVID-19 e pelas restrições de viagens impostas durante os meses de fevereiro e março, a TAP agiu rapidamente para ajustar a sua rede e mitigar o impacto negativo nos custos e no consumo de caixa.

Embora os números do 1T21 YoY (Year-on-Year, ou seja, comparação Ano-a-Ano) indiquem que ajustes adicionais ainda precisam ser capturados para reduzir a lacuna entre a queda nas receitas operacionais e nos custos, um progresso significativo foi feito.

A TAP continuou a reforçar todas as medidas de proteção da sua posição de caixa, nomeadamente as iniciativas de conversão de custos fixos em variáveis, a renegociação contínua dos acordos comerciais e respectivos planos de pagamentos, a suspensão de CAPEX (Capital Expenditure, ou seja, o dinheiro gasto para comprar, manter ou melhorar ativos fixos) não essenciais e os ajustamentos significativos aos custos laborais.

Durante o 1T21, a TAP implementou as seguintes reformas laborais no âmbito do Plano de Reestruturação entregue à Comissão Europeia, que teve como objetivo ajustar a estrutura de custos e otimizar a sua mão de obra:

– Em 1º de março de 2021, entraram em vigor os Acordos de Emergência Trabalhista, com reduções salariais para cada categoria profissional. A TAP também aderiu ao esquema clássico de lay-off, adotando um mecanismo de redução da jornada de trabalho entre 5% e 90%;

– Um programa voluntário de redução do quadro de funcionários foi implantado em toda a Companhia, que incluiu medidas como rescisão por mútuo acordo, aposentadoria e pré-aposentadoria, trabalho em meio período e licença sem vencimento, aberto de 11 de fevereiro de 2021 a 24 de março de 2021;

– Adicionalmente, a TAP implementou um programa de candidaturas voluntárias para deslocamento de trabalhadores para a Portugália para Tripulação de Cabine, Pilotos e Técnicos de Manutenção;

– Além disso, 386 contratos a termo não foram renovados durante o 1T21;

Como resultado, durante os primeiros três meses de 2021, os custos com funcionários diminuíram quase 30%, no período homólogo, e espera-se que o impacto total das medidas voluntárias seja maior nos próximos trimestres.

As discussões com os lessores continuaram ao longo do 1T21, com o objetivo de diferir os pagamentos de rendas e reservas de manutenção, bem como negociar rendas futuras.

Plano de Reestruturação

À medida que se aproxima a decisão da Comissão Europeia sobre o Plano de Reestruturação do Grupo TAP, a empresa continua a tomar medidas para fazer face à pressão contínua sobre a indústria da aviação europeia e estar numa posição forte para captar a futura recuperação do tráfego, que será ditada pela eficácia do plano de vacinação e uma melhor coordenação nas testagens pré-voo.

Um Gabinete de Transformação, com altos executivos da TAP e assessores externos, trabalha há vários meses e continuará a trabalhar na negociação e implementação do Plano de Reestruturação apresentado à Comissão Europeia em 10 de dezembro de 2020.

Este plano visa garantir a sustentabilidade e rentabilidade da TAP, através de um adequado planejamento de rotas e frota, adequando a oferta ao atual ambiente de mercado pós COVID-19, para suportar o aumento de receitas e um programa global de redução de custos, através de negociações com terceiros, aumento da eficiência das várias unidades do grupo e o rightsizing da Empresa.

Perspectivas

Para os próximos meses, e de acordo com a IATA, é esperada alguma recuperação da demanda, com a redução das restrições de viagens apoiada pelo lançamento de vacinas e pela demanda reprimida de viagens, com o ano de 2021 recuperando para 52% do número global de passageiros de 2019. Como tal, a TAP está pronta para ajustar a sua capacidade e fazer face ao aumento da procura.

Além disso, o fluxo de notícias recentes sobre a eficácia da implementação de vacinas para COVID-19 na Europa e nos EUA tem sido encorajador, juntamente com a implementação potencial de uma abordagem coordenada para testes pré-voo, que deve ditar o caminho de recuperação da demanda global das viagens aéreas.

Dados financeiros e operacionais

Os resultados do 1T21 foram significativamente afetados pelo impacto contínuo da COVID-19, com a capacidade e a receita operacional total caindo 81% e 74% YoY, respectivamente.

A capacidade, medida por ASKs, caiu 81% YoY (-52% QoQ), enquanto a taxa de ocupação de passageiros diminuiu 21,7 pontos percentuais YoY (-1,3 ponto QoQ) para 50,2% no 1T21.

A receita operacional total diminuiu 74% YoY (-32% QoQ) para € 150,0 milhões, enquanto a receita de passageiros caiu 83% YoY (-42% QoQ). O segmento de carga manteve seu bom momento e continuou com um bom desempenho no 1T21, aumentando 36% YoY.

A rápida redução da capacidade, associada à implementação de iniciativas de redução de custos, permitiu uma redução dos custos operacionais de 49% no período (-34% no período) para 377,7 milhões de euros no 1T21.

O EBITDA recorrente diminuiu € 3,2 milhões no trimestre para € -104,1 milhões, enquanto o EBIT aumentou € 126,8 milhões no trimestre para € -227,7 milhões no 1T21.

O Resultado Líquido do 1T21 foi negativo em 365,1 milhões de euros, dos quais -109,8 milhões de euros relativos ao câmbio líquido. A maior parte deste efeito esteve relacionado com a depreciação do euro face ao dólar (que tem um forte impacto nas rendas futuras de aeronaves, embora um impacto de caixa limitado durante o período analisado).

As medidas implementadas para proteger a posição de caixa da TAP, a par do empréstimo recebido do Estado Português em 2020, permitiram à companhia terminar o primeiro trimestre de 2021 com uma posição de caixa de 237,6 milhões de euros, frente a 518,8 milhões de euros em 31 de dezembro de 2020. Adicionar recebíveis de cartão de crédito do Brasil traria a liquidez total da TAP para 255,9 milhões de euros no final do 1T21 (considerando a taxa de câmbio euro/real em 31 de março de 2021).

A dívida financeira bruta aumentou 83 milhões de euros no trimestre, o que é explicado principalmente por um aumento dos passivos de arrendamento com opção de compra (ou seja, arrendamentos financeiros) de 63 milhões de euros no trimestre.

Em relação à frota, três aeronaves de geração mais antiga foram desativadas (2 A330 e 1 A320) durante o 1T21. Assim, a frota operacional da TAP era composta por 93 aeronaves em 31 de março de 2021 (incluindo a frota regional operada pela Portugália e White), das quais 3 aeronaves de corpo largo estavam exclusivamente alocadas ao segmento de carga.

Dado o esforço contínuo para usar aeronaves mais eficientes e aumentar a flexibilidade operacional, espera-se que 2 A320neo e 1 A321neoLR comecem operações comerciais durante o segundo trimestre de 2021.

O A321neoLR desempenha um papel fundamental na estratégia da TAP, pois permite que a TAP use uma aeronave de corpo estreito em rotas de longo curso com um custo de viagem menor quando comparado a uma aeronave de corpo largo. Isto é particularmente importante devido à elevada incerteza e ao ambiente de baixa procura que a indústria da aviação europeia enfrenta atualmente.

O comunicado da TAP pode ser acessado integralmente clicando aqui para baixá-lo em pdf.