South African Airways na berlinda de novo, após Tesouro negar dinheiro público

O futuro da moribunda South African Airways está de novo “na berlinda”, depois que o Tesouro da África do Sul afirmou que não tem intenção de aportar mais fundos públicos à transportadora estatal falida e que defende sua liquidação. A posição da entidade acontece ao mesmo tempo em que os administradores têm de apresentar (pela décima vez) seu plano para reestruturar a empresa.

Segundo o EWN, em uma apresentação perante o Comitê Permanente de Finanças na semana passada, o Tesouro recomendou que a SAA fosse fechada e que “nenhuma outra ação” fosse “necessária em termos de resgates”, exceto a liquidação da “dívida garantida, pois a entidade é insolvente e não há planos de recuperação”.

Por sua vez, os profissionais responsáveis por elaborar uma estratégia de resgate da SAA basearam todas as suas ideias numa ajuda multi-milionária do governo sul-africano, tomando isso por garantido, já que havia um suposto interesse de alas do governo – inclusive do presidente – de salvar a empresa. No total, a ajuda pedida seria da ordem de US$ 600 milhões em financiamento, sendo US$ 162,5 milhões ​para capital de giro, US$ 127,7 milhões ​para contencioso, US$ 174,1 milhões para reembolsos de passagens não-realizadas, US$ 34,8 milhões para credores em geral e US$ 98,7 milhões para os arrendadores dos aviões.

No entanto, a apresentação do plano preliminar foi adiada e deve acontecer nesse dia 7 de julho, bem como o voto dos credores para sua aprovação foi adiado para 14 de julho, a fim de que possam analisar a proposta. Uma votação a favor do plano por 75% dos interessados seria necessária para aprová-lo.

No contexto de uma votação negativa, o Departamento de Empresas Públicas (DPE) alertou que o processo de descontinuação da companhia aérea e a alienação de seus bens levarão a dificuldades financeiras para os funcionários e a uma subvalorização substancial dos ativos.

Se a SAA entrar em liquidação, os atuais administradores projetam que os credores preferenciais serão o Serviço de Receita da África do Sul (SARS), funcionários e leasing suspensos. É esperado um desembolso total US$ 144.53 milhões de indenizações. No entanto, credores que incluem bancos, passageiros, fundos de pensão e arrendadores sul-africanos, cujos contratos totalizam US$ 1,46 bilhão, não recuperariam nada.

Esse foi mais um capítulo da interminável novela.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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