Surge uma grande fusão na América Latina: Viva Air e Avianca anunciam unificação

Uma grande fusão de companhias aéreas na América Latina está se encaminhando, com as concorrentes colombianas Avianca e Viva Air anunciando um acordo para se tornarem parte de um mesmo grupo.

Foto de Clément Alloing / AEROIN

Os objetivos do acordo foram anunciados oficialmente nas primeiras horas desta sexta-feira, dia 29 de abril, conforme adiantado em primeira mão na noite anterior pelo portal Aviacionline, parceiro do AEROIN.

Em nota ao mercado em geral, a Avianca informa o seguinte:

“Os acionistas majoritários de ambas as companhias aéreas anunciam em conjunto que a Viva passará a fazer parte da mesma holding do Avianca Group International Limited (Grupo Avianca), e que Declan Ryan, sócio fundador da Viva, passará a integrar o conselho de administração do novo grupo, contribuindo toda a sua experiência no mundo da aviação.

A eventual incorporação dos direitos de controle das operações da Viva na Colômbia e no Peru à holding do Grupo Avianca estará condicionada à solicitação e obtenção de todas as autorizações regulatórias necessárias nos países requeridos.

Isso significa que, até que as empresas solicitem e obtenham tais autorizações, o controle – e a administração – da Viva na Colômbia e no Peru ainda não farão parte da mesma holding e, dessa forma, as operações da Viva continuarão concorrendo com as companhias aéreas que fazem parte do Grupo Avianca em todos os países onde ambos os grupos estão presentes.

Da mesma forma, enquanto as autorizações não forem alcançadas, a forma como os usuários, fornecedores, funcionários e entidades se relacionam com as diferentes companhias aéreas permanecerá a mesma, mantendo seus processos internos e externos, bem como seus próprios canais de vendas e serviços conhecidos hoje.

Futuramente, sujeitos à conclusão dos procedimentos necessários e autorização das autoridades competentes, os acionistas consideram que ambos os grupos de companhias aéreas poderão fazer parte da mesma holding, mantendo as respetivas marcas e estratégias.

Roberto Kriete, principal acionista e presidente do Conselho de Administração da Avianca, comentou sobre o acordo:

“Este novo e forte grupo de companhias aéreas beneficiaria os clientes por ter uma estrutura de custos mais eficiente que lhes permitiria oferecer preços ainda mais baixos, bem como uma malha de rotas que promoveria conectividade direta entre destinos, um forte programa de fidelidade e um serviço amigável e eficiente de acordo com as necessidades do viajante de hoje. Além disso, daria à Colômbia e à América Latina um concorrente novo, fortalecido e sustentável ao longo do tempo, incentivando ambos os players a permanecerem relevantes no mercado latino-americano”.

Ainda segundo o comunicado, a decisão de unificar os direitos econômicos de ambos os grupos na mesma holding é tomada após a maior crise da história do setor aéreo -gerada pela Covid-19 – que obrigou as companhias aéreas a se adaptarem a novas formas de voar e fortalecer suas operações para enfrentar os desafios futuros. Nesse cenário, países de todo o mundo viram a necessidade de criar companhias aéreas sólidas e sustentáveis ​​que garantam e fortaleçam a conectividade aérea nacional e internacional e, ao mesmo tempo, gerem valor para o consumidor.

Declan Ryan, sócio fundador da Viva, comentou:

“Este é um dia importante para a Viva, pois é o cenário perfeito para continuar com nossa estratégia de crescimento e expansão, mantendo a bandeira de inclusão aérea e fortalecendo nossa empresa.

Além disso, se no futuro as autoridades aprovarem a gestão dos dois grupos na mesma holding, isso incentivará o mercado de transporte aéreo a continuar crescendo, promovendo tarifas baixas para os usuários e um bom atendimento com a melhor pontualidade, dando a todos a oportunidade para voar para muitos destinos ao redor do mundo.

Da mesma forma, será uma fonte de geração de emprego qualificado, dando mais e melhores oportunidades de trabalho aos atuais e futuros colaboradores, além de continuar impactando positivamente a conectividade da Colômbia, a região e o desenvolvimento econômico do país”.

Além disso, se todas as autorizações pertinentes forem obtidas, tanto a Avianca quanto a Viva teriam um perfil financeiro mais estável que permitiria acelerar o investimento, a inovação e o crescimento.

A Avianca Colombia (ou Avianca Holdings) é a companhia aérea mais antiga em operação nas Américas e a mais velha do mundo em termos de operações ininterruptas.

A empresa já passou por vários donos e transformações, e chegou a ter uma irmã no Brasil, que acabou fechando as portas. Agora após sair da Recuperação Judicial por causa da Pandemia e pelos motivos que levaram à crise na divisão brasileira, ela aposta alto.

Meses atrás, o plano da empresa de bandeira da Colômbia seria adquirir a chilena SKY, uma novata low-cost (de baixo-custo) que tem aumentado a presença na América do Sul.

O foco da empresa seria se tornar uma gigante nos andes, saindo do modelo tradicional para o de baixo-custo, mas isto agora deverá acontecer com a conterrânea Viva Air, que acabou de anunciar voos regulares para o Brasil.

Segundo análise do Aviacionline, o mercado colombiano é dominado pela Avianca, seguido da LATAM Colômbia e da Viva Air. As duas empresas agora poderão ter até 57% do mercado, caso o acordo seja aprovado pelas autoridades, o que pode levar até 12 meses.

A Avianca possui uma frota de cerca de 100 aeronaves dos modelos Airbus A319, A320, A320neo e A330-200, e Boeing 787-8 e 787-9.

Por sua vez, a Viva, fundada em 2012, tem 22 aeronaves dos modelos Airbus A320 e A320neo.

Carlos Martins
Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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