
O Sistema Único de Saúde (SUS) realizou, nesta quinta-feira (8), o segundo transporte de sangue raro na cabine de uma aeronave comercial, por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde e as companhias aéreas. A bolsa, coletada no Ceará, chegou nesta sexta-feira (9) a Juiz de Fora (MG), onde um paciente em estado grave aguardava uma transfusão.
A iniciativa busca reduzir o tempo de transporte e agilizar o atendimento a pacientes que necessitam de tipos sanguíneos raros. O procedimento segue o modelo já adotado para o transporte de órgãos destinados a transplantes. Até então, as bolsas de sangue raro eram transportadas como carga, modalidade sujeita a prazos mais longos e restrições operacionais.
“O transporte de sangue raro envolve situações clínicas que exigem articulação e colaboração entre diferentes instituições. A inclusão desse serviço na parceria entre o Ministério da Saúde, por meio do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), a Anac e as companhias aéreas permitirá agilizar o atendimento a pacientes em qualquer estado do país e viabilizar tratamentos que, de outra forma, poderiam não acontecer. Essa iniciativa fortalece a rede de solidariedade que faz do Brasil e do SUS uma referência para o mundo”, afirma Luciana Maria de Barros Carlos, coordenadora-geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde.
Com a atualização do acordo, o transporte de sangue raro poderá ocorrer com mais agilidade, inclusive durante a noite, nos fins de semana e feriados. A medida busca garantir que o material chegue em tempo hábil aos pacientes que precisam de transfusão. A iniciativa envolve o Ministério da Saúde, por meio do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e da Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e as companhias aéreas brasileiras.
Entenda o caso – O paciente está internado em Minas Gerais após passar por um transplante renal. Durante os testes pré-transfusionais, foi identificado o anticorpo anti-Jsb, o que dificultou a localização de sangue compatível.
Diante da situação, a rede de hemoterapia acionou o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), por meio do qual foi localizado um doador no Ceará. Ele compareceu ao hemocentro, onde a bolsa foi coletada e liberada no mesmo dia.
Devido à gravidade do quadro clínico, o material será acondicionado em embalagem apropriada, com controle rigoroso de temperatura, e transportado gratuitamente na cabine de uma aeronave comercial até Minas Gerais. Outros doadores também estão sendo convocados para atender às necessidades de transfusão do paciente.
Transporte de São Paulo para o Piauí – Em 12 de setembro, o Ministério da Saúde viabilizou o primeiro transporte gratuito de uma bolsa de sangue raro na cabine de uma aeronave comercial no Brasil. O material saiu de São Paulo com destino ao Piauí para atender a um paciente com doença renal crônica em estado grave, que precisava de transfusão.
Após exames identificarem uma combinação sanguínea extremamente rara, a rede de hemoterapia acionou o Cadastro Nacional de Sangue Raro e localizou um doador compatível em São Paulo. A transfusão foi realizada com sucesso e, segundo a equipe responsável pelo atendimento, o paciente apresentou bom estado de saúde após o procedimento.
Busca por sangue raro – Além dos sistemas sanguíneos mais conhecidos, como ABO e Rh, existem outros antígenos presentes na superfície das hemácias. Um perfil sanguíneo é considerado raro quando aparece em menos de uma a cada mil pessoas testadas. Nesses casos, encontrar sangue compatível para uma transfusão pode exigir buscas em diferentes estados do país.
Exames de fenotipagem e genotipagem permitem identificar características específicas do sangue de pacientes e doadores, facilitando a localização de unidades compatíveis.
O atendimento depende da atuação integrada da rede de hemoterapia, responsável por identificar e localizar doadores, armazenar as bolsas e organizar o transporte. Entre os avanços previstos estão a ampliação da identificação de pessoas com perfis sanguíneos raros, a estruturação de laboratórios de referência e a implantação do congelamento de bolsas, técnica que permitirá armazená-las por até dez anos.
Outra iniciativa prevista para este mês é a adesão do Brasil à rede mundial de sangue raro. A participação permitirá ao país solicitar bolsas a outros países quando necessário e também contribuir para o atendimento de pacientes no exterior.
Cadastro Nacional de Sangue Raro – Criado pelo Ministério da Saúde em 2013, o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR) reúne atualmente 2.032 doadores e já contribuiu para o atendimento de mais de 300 pacientes.
Quando um hemocentro não encontra sangue compatível no próprio estado, pode acionar o cadastro, coordenado pela Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde. A equipe, então, identifica possíveis doadores em outras unidades da Federação, organiza a convocação para a coleta e auxilia na logística de transporte, para que o sangue chegue ao paciente em tempo hábil.
Transporte aéreo – O Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério da Saúde e as companhias aéreas já prevê o transporte gratuito de órgãos destinados a transplantes. Em 2025, a Central Nacional de Transplantes intermediou 2.016 transportes, dos quais 1.716 foram realizados em voos comerciais e 300 em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).
Com a inclusão do sangue raro no acordo, essa estrutura também poderá ser utilizada para transportar bolsas compatíveis entre diferentes estados com mais rapidez, mesmo quando o doador estiver a milhares de quilômetros do paciente.
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