Talibã se diz traído após EUA inutilizarem caças Embraer Super Tucano

Deixar equipamentos para trás foi uma estratégia americana criticada, mas que funcionou, até certo ponto, com a inutilização das aeronaves.

As maiores críticas se deram pelo fato do governo americano deixar seu equipamento (ou dado por eles ao Afeganistão) para trás, incluindo fuzis, aeronaves de ataque, helicópteros e veículos, que fortaleceriam o Talibã. Boa parte deste equipamento não era dos EUA, mas sim dos militares afegãos, que não reagiram ao avanço do Talibã e se mostraram totalmente desinteressados de defender sua posição.

Ainda assim os EUA foram cobrados para destruir os equipamentos ou tira-los de lá, mas isto teria um custo ainda maior e levaria muito mais tempo. Segundo o general dos fuzileiros, Kenneth Franklin McKenzie Jr., chefe do Comando Central dos EUA, responsável pelo Oriente Médio, a estratégia adotada foi outra, mais inteligente, simples e barata: inutilizar os equipamentos com a retirada de componentes críticos.

“Nos inutilizamos 73 aeronaves antes de partirmos, não sabemos quantos ficaram lá”, afirmou o General ao DailyMail. Ao menos 48 aviões foram capturados pelo Talibã, sendo que mais de duas dezenas são Super Tucano, desenvolvidos pela brasileira Embraer e fabricados nos EUA pela Sierra Nevada.

Como mostra o vídeo abaixo, a repórter da Al Jazeera, Charlotte Bellis, foi até um dos hangares onde estão alguns desses aviões e conversou com os talibãs, que relataram estarem se sentido “com raiva, desapontados e traídos pelos EUA”, após o governo americano deixar as aeronaves inutilizáveis. Muito dos aviões não conseguem ser reparados, já que o equipamento essencial como aviônica e computadores foram retirados das aeronaves, e substituí-los, mesmo com uma suposta ajuda da China, não será fácil e nem barato.

Nesse sentido, o plano americano parece ter funcionado como esperado, mas o que surpreendeu foi o desapontamento dos talibãs. Eles, na verdade, esperavam que os EUA deixassem os equipamentos, já que são em sua maioria propriedade do governo do Afeganistão, que agora é controlado pelo grupo extremista.

“Nós acreditamos que isso são bens do governo, da nação, e agora nós somos o governo e isso seria de grande uso para nós”, afirmou um dos extremistas à repórter.

Enquanto as aeronaves não estão operacionais, veículos como o jipe HMMV (Humvee) e fuzis M16 da FN Herstal e Colt, são mais simples de operar e já são vistos nas mãos dos extremistas. Mas estes equipamentos estão longe de ter a tecnologia de ponta do A-29 Super Tucano ou dos helicópteros MD-530.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

Veja outras histórias