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TAP Air Portugal apresenta os dados e o prejuízo do crítico ano da pandemia

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Imagem: Curimedia / CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

A companhia aérea TAP Air Portugal apresentou nesta semana ao mercado em geral seus dados operacionais referentes ao crítico ano de 2020, quando a pandemia da Covid-19 impactou sobremaneira a aviação mundial, resultando em um prejuízo de € -1,20 bilhão (EUR 1,203.3 milhão) para a empresa portuguesa.

No comunicado, a companhia descreve que as operações e o lucro de 2020 foram significativamente impactados pela queda na atividade vista a partir de março. Sua demanda de passageiros, que havia crescido por quatro anos, caiu 72,7%, um pouco menos do que a queda na demanda na Europa, que caiu 74,1% segundo dados da IATA de novembro de 2020 (medida em RPK, receita por passageiro-quilômetro).

A receita de bilhetes da TAP caiu 70,9% em 2020, em comparação a um decréscimo global na indústria de cerca de 69%.

Em janeiro e fevereiro de 2020, os principais indicadores operacionais e financeiros mostravam uma trajetória positiva, interrompida pela pandemia. O número de passageiros transportados pela TAP nesses dois meses havia aumentado 13,4% em relação ao ano anterior, sendo inclusive superior ao total de passageiros transportados nos meses restantes do ano.

Os indicadores operacionais, comerciais (reservas futuras) e financeiros antes do início da pandemia eram tais que a TAP previa um ano bastante positivo para 2020, mas tudo foi revertido pela crise subsequente.

Indicadores operacionais de 2020 versus 2019 – Fonte: TAP Air Portugal

Indicadores financeiros de 2020 versus 2019 – Fonte: TAP Air Portugal

Receitas operacionais

As receitas operacionais atingiram € 1,06 bilhão, uma redução de € 2,24 bilhões (-67,9%) em comparação com as receitas operacionais de 2019. Este valor foi penalizado pela diminuição das receitas de passageiros de € 2,06 bilhões (-70,9%) e de manutenção de € 143,4 milhões (-67,9%).

Estas fortes quedas foram ligeiramente compensadas por uma menor diminuição das receitas de carga, de € 11,7 milhões (-8,5%), para uma receita de carga total de € 125,7 milhões.

Custos operacionais

Os custos operacionais foram de € 2,02 bilhões em 2020, o que representa um decréscimo de € 1,23 bilhão (-37,7%) em relação ao período homólogo e é explicado principalmente pela redução significativa dos custos variáveis, devido à reação da Empresa em ajustar sua capacidade e ao resultado de negociações com fornecedores e locadores e de medidas trabalhistas (não renovação de 1.042 contratos de trabalho a termo e adesão a medidas de apoio à recuperação progressiva).

Além disso, fora das negociações com fornecedores, a TAP destaca o acordo firmado com a Airbus, que alterou as datas de entrega de 15 aeronaves de nova geração, permitindo uma redução de CAPEX (gasto de capital) de aproximadamente US$ 1,0 bilhão entre 2020-2022.

Os custos operacionais ainda foram penalizados por custos não recorrentes, nomeadamente custos de imparidade (€ 44,1 milhões) e custos de reestruturação (€ 96,1 milhões).

Resultados operacional e líquido

O resultado operacional (EBIT, lucro antes de taxas e impostos) registrou uma redução de € 1,01 bilhão ano a ano, para prejuízo de € -964,8 milhões em 2020. Quando ajustado incluindo itens não recorrentes e custos de reestruturação, o EBIT recorrente foi de € -858,4 milhões e o EBITDA (lucro antes de taxas, impostos, depreciação e amortização) recorrente foi de € -273,7 milhões.

Já o resultado líquido do ano 2020, que engloba os resultados operacionais acima descritos e os demais resultados não-operacionais, foi um prejuízo de € -1,20 bilhão.

A TAP destaca um impacto positivo das diferenças de câmbio, no valor de € 162,1 milhões, relacionado com a valorização do Euro face ao Dólar (com forte impacto nas rendas futuras e, portanto, quase nenhum efeito caixa durante o ano), que mais do que compensou a desvalorização do Real face ao Euro. Em contrapartida, os custos de cobertura de combustível para aviação tiveram um impacto negativo de 165,3 milhões de euros, em resultado da quebra de atividade provocada pela pandemia de Covid-19.

Frota

A frota da TAP passou por um ajustamento significativo em 2020, face à nova realidade do setor em que opera e dentro da própria Empresa. A TAP encerrou 2020 com uma frota operacional de 96 aeronaves, uma redução líquida de 9 aeronaves em relação ao final de 2019, quando possuía uma frota operacional de 105 aeronaves.

Composição de frota em 31 de dezembro de 2020 – Fonte: TAP Air Portugal

Durante 2020, 7 aeronaves Airbus de nova geração entraram em serviço (2 A330neo, 2 A321neo LR, 2 A321neo e 1 A320neo) e 16 aeronaves deixaram de operar (10 A319, 3 A320, 1 A321 e 2 A330-200).

As aeronaves que integram a frota operacional da TAP estão em linha com a estratégia da Empresa de utilizar aeronaves de menor dimensão, com menores custos de viagem, o que permite à TAP adaptar a sua operação ao ritmo de recuperação da procura.

A companhia ainda comenta que, durante o segundo semestre do ano, dois A330-200 foram adaptados como aviões de carga, face ao aumento da procura neste segmento.

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