Terceirização de mecânicos de aviões gera descontentamento na GOL

O conflito entre a gerência da Gol e funcionários não tem se limitado apenas ao grupo de voo, mas também atinge os mecânicos da companhia aérea.

Aviões Boeing 737 GOL Congonhas

Nos últimos meses, temos acompanhado a insatisfação da equipe de solo da empresa, principalmente dos técnicos de manutenção de aeronaves (os mecânicos de aviões). Eles organizaram uma manifestação em maio, como relatado aqui, e desde então pouca coisa teria mudado. Além disso, segundo informou um técnico que trabalha no Hangar de Confins, em Minas Gerais, alguns profissionais envolvidos no protesto foram demitidos (não confirmado oficialmente pela empresa).

Isso ajudou a aumentar a insatisfação na equipe. Profissionais consultados pelo AEROIN reclamaram que as demandas protestadas não foram atendidas e que a empresa estaria ampliando a sua terceirização, através de uma cooperativa.

A terceirização de serviço de manutenção de aeronaves não é algo novo no Brasil e nem no exterior, mas normalmente é utilizada por dois motivos: falta de expertise ou mão-de-obra para uma tarefa em específico, como instalação de Wi-Fi, ou falta de agenda ou disponibilidade de pessoal.

No entanto, isto estaria se expandindo na GOL para tarefas normais do dia-a-dia, através da Coopresa, uma Cooperativa de Prestadores de Serviço Autônomo de Lagoa Santa, que surgiu em torno do polo aeronáutico que existe na cidade e na grande Belo Horizonte.

A Cooperativa presta serviços para outras empresas, como a Azul, mas não no mesmo nível que estaria na GOL. Os cooperados, que por vezes entram como empresas individuais (Pessoa Jurídica), fazem contratos de tempo limitado através da Cooperativa com as empresas interessadas.

Segundo os mecânicos com quem conversamos, os terceirizados fariam todas as tarefas básicas, mas apenas não assinam a verificação final. Inclusive um dos chefes da Coopresa seria supervisor de manutenção na GOL, ainda trabalhando na empresa.

Outro ponto seria a exigência da Cooperativa, que tem pedido 2 módulos ou 1 do curso de mecânico para contratação, enquanto a GOL sempre exigiu os 4 disponíveis pela ANAC: Básico, Grupo Motopropulsor, Célula e Aviônicos.

Entramos em contato com a GOL para entender melhor a situação e recebemos a seguinte resposta:

“A GOL tem como valor número 1 a Segurança e informa que segue à risca todos os procedimentos de manutenção requeridos pelos fabricantes e processos certificados e auditados pelas autoridades aeronáuticas.

A Companhia reforça que cumpre a Legislação trabalhista, as normas coletivas aplicáveis, exigências do órgão regulador, ANAC e os processos de qualidade da empresa. A terceirização de auxiliares de manutenção por meio da empresa COOPRESA se dá em caráter temporário, para períodos de pico de demanda nos hangares da empresa, sendo que os serviços realizados pelos terceiros são de natureza simples, como abertura e fechamento de acessos, limpeza de peças e lavagem e preparação para pintura de aeronaves. Além disso, os serviços são sempre supervisionados por mecânicos da GOL conforme requerido.

A empresa esclarece ainda que, antes de iniciarem os trabalhos, os terceiros recebem  treinamento sobre SGSO (“Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional”) e segurança do trabalho.”

Carlos Martins
Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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