Um Airbus A320neo de luxo virou motivo de discórdia em Senegal

A entrega, prevista para 16 de julho, de um novo jato presidencial para o Senegal gerou protestos públicos, com os partidos de oposição e a sociedade civil exigindo do governo a apresentação das contas e o custo da aeronave em um momento de dificuldade econômica, diz o The North Africa Post.

O Airbus A320 neo, na versão Corporate Jet, fruto de um acordo de compra assinado em junho de 2019, substituirá um A319 de vinte anos, comprado em segunda mão em novembro de 2010 e colocado em serviço em março de 2011. A ideia do país é trocar de aeronave, na medida em que o A319 se tornou obsoleto, exigindo manutenção frequente e cara. 

Pelo A319 ficar fora de operação por longos períodos, o governo senegalês teve que bancar caros fretamentos de aeronaves para missões presidenciais. A nova aeronave seria mais eficiente em termos de combustível e de alcance, reduziria os custos de manutenção e operação e reduziria as despesas com escalas técnicas. 

No entanto, o grupo Noo Lank, acusou o presidente Macky Sall de gastar US$ 111,6 milhões na nova aeronave, “numa época em que o país carece de tudo (água, eletricidade, infraestrutura de saneamento, etc) e quando a pobreza aumenta”.

O Noo Lank sugeriu que Sall repassasse a aeronave para a Air Sénégal para operar durante os períodos em que ele não viajasse. “A companhia aérea nacional, gravemente afetada pela crise de saúde, poderia, assim, fortalecer suas capacidades e receitas comerciais”, disse a organização.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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