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Usando os Airbus A380 para o Havaí, estaria a ANA se arriscando demais?

Quando a All Nippon Airways (ANA) estreou o maior avião de passageiros do mundo em sua rota da capital do Japão, Tóquio, para Honolulu, no Havaí, em maio passado, analistas de ações questionaram se havia demanda suficiente para suportar a capacidade de mais de 500 assentos da aeronave.

Mas a companhia aérea japonesa respondeu com planos de adicionar outro de seus Airbus A380 com as pinturas especiais de tartarugas marinhas à sua rota, continuando sua estratégia de expansão, apesar dos que duvidam.

A ANA anunciou no começo desse mês que aumentará o uso do A380 para o Havaí a partir do Aeroporto Internacional de Narita, na região de Tóquio, de 10 para 14 voos por semana (substituindo o Boeing 777, uma vez que, atualmente, 10 voos são feitos pelo A380 e 4 pelo 777).

No entanto, o novo A380 de dois andares será implantado na rota no momento em que as perspectivas para as viagens aéreas diminuem. A mudança do ano passado já era vista como arriscada, quando a maioria das companhias aéreas vêm voando jatos de médio porte, como os das famílias Boeing 787 e Airbus A350.

Mas não é o que os números mostram

Porém, até agora, as preocupações e críticas sobre excesso de capacidade se mostram infundadas. Segundo o Nikkei, a ANA levou cerca de 21.000 passageiros para o Havaí (onde a tartaruga marinha é venerada na tradição) durante a temporada de viagens das festas deste último final de ano. Isso representa um ganho de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A rival doméstica Japan Airlines já dominou a rota Tóquio-Honolulu, com cerca de 30% de participação. Mas a ANA parece ter disparado tanto em assentos oferecidos quanto em taxa de ocupação desses assentos.

A ANA aproveita ao máximo o tamanho do superjumbo, permitindo que quatro passageiros usem cinco assentos, e oferecendo uma sala multiuso que pode ser usada por mães lactantes. Ainda, alguns assentos da classe econômica podem ser convertidos em camas. Esses recursos que transformam o A380 em um “hotel voador” viraram um sucesso entre as famílias.

Assim como o presidente da Emirates Airlines já destacou que o grande segredo do A380 é permitir oferecimento de um serviço exclusivo e inovador aos passageiros, parece que a ANA também soube como aproveitar esse diferencial do jato.

Replicando o modelo de foco no cliente

As condições das viagens aéreas não têm sido favoráveis ​​recentemente. Em particular, corporações estão cortando as viagens de negócios devido a uma queda nos ganhos, resultando em menor ocupação de assentos. Em outubro, a ANA Holdings rebaixou em 25 bilhões de ienes sua projeção de lucro operacional para o ano atual, que se encerrará em 31 de março, para 140 bilhões de ienes, o que representa um declínio de 15% em relação ao ano anterior.

“Embora as viagens de negócios ainda não estejam sendo canceladas, a demanda por viagens de negócios permanece fraca”, disse Masaharu Hirokane, da Nomura Securities.

Diante disso, o presidente da ANA Holdings, Shinya Katanozaka, se descreveu como um “novo defensor de rotas” em uma entrevista coletiva em dezembro. Ele tem um senso de urgência de que, a menos que a empresa cultive agressivamente a demanda, ela não será capaz de lidar com o mercado doméstico em contração e a concorrência com rivais estrangeiras.

À medida que o crescimento da demanda perde força para novas rotas, replicar seu sucesso da rota do Havaí em outras rotas já consolidadas pode abrir caminho para a ANA recuperar grandes investimentos iniciais.

Veja nas matérias a seguir mais detalhes sobre o projeto “Flying Honu” dos A380 especialmente dedicados ao Havaí:

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