Veja como está o primeiro Boeing 737 do Brasil, que virou atração em um mercado

Uma das peças da história da aviação brasileira, o primeiro jato Boeing 737 a voar no país, saiu do abandono para seu novo destino: um mercado na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A história do Boeing 737 no Brasil começou com o modelo 737-200 de matrícula PP-SMA, em 1969, encomendado direto da fábrica pela VASP, que à época estava em franca expansão e queria complementar a sua frota doméstica, que já contava com o jato BAC-1-11 (esse trecho do texto foi ajustado).

Desde então, o PP-SMA voou pelos céus do Brasil por várias décadas, até sair de cena em 2004, quando a VASP já estava em estado falimentar. O último voo da aeronave foi para o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na grande Belo Horizonte. E ali ele ficou.

PP-SMA nos tempos áureos © Aero Icarus

De lá para cá, o jato sofreu ação do tempo, ficando anos parado no pátio do aeroporto, próximo à torre de controle, esperando por seu destino, que envolvia o leilão de bens da massa falida da VASP. Com o tempo, ele teve seu motor retirado e também outras peças, e sua pintura ficou irreconhecível.

Nos últimos anos, porém, ele teve uma nova sorte e foi movimentado. Primeiro, foi retirado do aeroporto e colocado num terreno baldio na cidade de Vespasiano, vizinha à Confins. De lá, foi levado para o seu local final, o Mercadão Internacional de Lagoa Santa, também próximo ao aeroporto internacional e convenientemente localizado ao lado da cabeceira da pista do Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa.

O empreendimento reúne várias lojas de artigos típicos mineiros e de outros estados, além de uma ampla praça de alimentação, com todos os tipos de comida, em modelo similar ao Mercado Municipal de São Paulo ou o vizinho Mercado Central, em Belo Horizonte. Mas atração mais chamativa é o Boeing 737, que tem um local dedicado para seu “repouso”.

A intenção do empreendimento é deixar ele com uma atmosfera rústica e de abandonado, e por isso a aeronave não foi limpa, incluindo a sua corrosão exposta, além de ter sido pintado com um tema de vegetação pela fuselagem, junto das plantas reais próximas ao trem de pouso.

O histórico jato chama a atenção dos visitantes, que podem subir na escada e tirar uma foto, mesmo sem saber o que sua existência representou para a aviação brasileira. Existem planos futuros da aeronave ter seu interior reformado e aberto para visitação.

Para quem está em uma longa escala em Confins ou mora próximo, vale a visita. A entrada é gratuita e o ambiente agradável. O endereço é Avenida Das Árvores, 290 – Jardim Ipê, Lagoa Santa – MG, ou para os mineiros mais íntimos: “cê dobra na segunda esquerda depois do T-Meia e segue toda vida” em referência ao avião North American T-6 que está exposto na entrada do PAMA-LS.

ERRATA: como mencionado acima, ajustamos um trecho do texto que dizia que a VASP já possuía o 727 quando chegou o 737, na realidade, a VASP possuía outro jato, o BAC 1-11.

Carlos Martins
Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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