Vídeo mostra a ação do piloto automático de um avião após uma “queda” em voo

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Vídeo piloto automático avião comandos queda em voo

A maioria das pessoas provavelmente já ouviu falar que aviões comerciais possuem piloto automático, ou, em termos simplificados, um controle computadorizado que atua nos comandos da aeronave para que ela voe por conta própria, mas seguindo instruções dadas ao computador de voo.

E hoje, para mostrar um exemplo dessa atuação do piloto automático, trazemos um interessante vídeo gravado a bordo de um Boeing 787. Ele mostra como os comandos da asa da aeronave foram manejados pelo sistema computadorizado após enfrentar uma perturbação em voo, semelhante a uma “queda” no ar.

Sugerimos que você veja o vídeo a seguir e, logo abaixo dele, acompanhe uma explicação sobre a situação enfrentada e a atuação do piloto automático e dos comandos de voo, retornando depois para rever o vídeo tendo aprendido sobre o funcionamento.

A perturbação ocorre aos 1:47 do vídeo e dura apenas alguns segundos, portanto, fica a seu critério aproveitar ou não para assistir à continuidade do vídeo até o pouso (se o vídeo não carregar, clique aqui para ver diretamente no Youtube).

Esse tipo de ocorrência que você assistiu acima se dá quando o avião é submetido a uma repentina redução de sustentação por conta de alterações das condições atmosféricas, que podem ocorrer até mesmo em regiões de tempo bom e céu limpo, exatamente como no caso do vídeo.

O próprio autor comentou sobre a experiência da seguinte forma:

“O voo cai durante uma curva à esquerda e gera aquele momento em que você sente que está caindo do céu e flutua sobre o assento. Foi um bolsão de ar? Foi turbulência? Foi uma corrente de ar? Ou foi esteira de turbulência?

Durante nosso voo de Nova Déli para Londres Heathrow, quando estávamos descendo e fazendo uma curva à esquerda, o voo caiu repentinamente. Antes ou depois desse incidente, não houve turbulência alguma. Os flaperons se abaixaram e depois se levantaram e você pode ver os spoilers atuando após a queda. Parece que foi devido a um bolsão de ar. Muitas pessoas estavam assustadas e preocupadas.

Ouça o som do motor durante a queda assustadora. Não sei o que aconteceu lá.

Apesar da descrição assustada do autor, compreensível no caso de passageiros que não possuem conhecimento sobre o fenômeno, a situação foi completamente normal. Como citado acima, é apenas consequência de uma variação atmosférica – que, vale ressaltar, reforça como é importante manter o uso do cinto de segurança até mesmo quando a aeronave está voando sem qualquer sinal de mau tempo ou turbulência.

Então, diante da normalidade da situação, voltemos à questão da interessante atuação do piloto automático.

A atuação do piloto automático

Note que tudo estava estável no voo do Boeing 787 até o tempo 1:47 do vídeo, quando então a asa é repentinamente abaixada. É aí que você pode observar a bonita atuação da tecnologia de controle de sistemas mecânicos.

O computador da aeronave identifica a alteração na condição de voo apenas décimos de segundo após ela ocorrer. Veja que é quase instantâneo o começo do movimento dos ailerons para baixo (ou flaperons, como citou o autor do vídeo, já que eles atuam tanto como flaps quanto como ailerons). Veja que menos de 1 segundo depois, a asa já está subindo novamente.

Essa deflexão dos ailerons ocorre porque o abaixamento dessas superfícies de comando gera aumento de sustentação, portanto, fazendo uma atuação de subida no sentido contrário ao movimento de descida da asa.

Na sequência, depois que a asa voltou a subir, também de forma muito rápida o computador do piloto automático identifica que o movimento de subida precisa ser interrompido, para que a asa volte a se estabilizar na posição em que estava antes da perturbação.

Os ailerons são então defletidos para cima para reduzir aquela sustentação extra que havia sido ganha por conta de seu abaixamento. Mas note que, agora, neste movimento dos controles para cima, outras superfícies de comando também entram em atuação. Aqueles outros painéis que se levantam na parte de cima da asa são os spoilers, que o autor também citou na descrição do vídeo.

Enquanto os ailerons podem ser defletidos para baixo ou para cima para gerar, respectivamente, aumento ou diminuição de sustentação, os spoilers apenas se abrem para cima e geram somente diminuição de sustentação.

Vale lembrar que eles também podem atuar como freio aerodinâmico, pois, ao serem levantados em uma posição mais vertical do que a vista na filmagem, eles geram bastante arrasto, tirando velocidade do avião.

Assim, com a atuação das superfícies de comando para cima, o piloto automático encerra as ações que foram capazes de colocar a asa de volta em sua posição original menos de 3 segundos após sair de sua estabilidade. Bonito de se ver, tanto pelo efeito visual quanto pela tecnologia envolvida nos sistemas automatizados de controle!

E se por acaso você estiver se perguntando: “Será que foi mesmo o piloto automático, e não o próprio piloto humano?”, bom, pode ter sido. Mas, diante da resposta rápida e precisa, é muito mais provável que tenha sido tudo automático.

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Murilo Basseto
Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e com Pós-Graduação em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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