Voo atrasa 17 horas porque o piloto não estava qualificado para pilotar a aeronave

Um voo da Delta Air Lines atrasou 17 horas no último sábado (21) por vários motivos, dentre eles porque um dos pilotos não estava qualificado para operar a aeronave naquele dia. O serviço regular DL-565 deveria decolar às 13h59 locais de Seattle para Kona, no Havaí, mas a partida aconteceu apenas na manhã do dia seguinte.

O voo já estava atrasado havia nove horas por falta de tripulantes, um problema que as companhias aéreas americanas têm encontrado dificuldades para superar, num momento de retomada da demanda por viagens com a pandemia caminhando para um fim. Mesmo assim, quando tudo parecia certo, os passageiros se viram novamente obrigados a uma espera de horas.

Após a longa espera, os pilotos chegaram a entraram na aeronave, tendo sido seguidos pelo início do embarque dos viajantes. O alívio, porém, durou pouco, já que a empresa aérea concluiu que um dos tripulantes não estava qualificado para aquele voo e todos precisaram desembarcar para mais oito horas de martírio no saguão do aeroporto, reportou Gary Leff, do site View from the Wing.

A rota do voo naquele dia – via FlightRadar24

O avião finalmente decolou no domingo de manhã, às 7h16, após 17 horas e 17 minutos de atraso, desta vez com tripulação totalmente qualificada.

A companhia aérea, no entanto, não detalhou qual foi o problema, mas emitiu apenas uma nota genérica dizendo: “O voo 565 da Delta em 21 de maio de Seattle para Kona sofreu um atraso devido a uma mudança de tripulação. Pedimos sinceras desculpas aos nossos clientes pelo inconveniente e atraso em suas viagens”.

Por trás da decisão da Delta podem estar diversas hipóteses, como o fato do piloto estar próximo do seu tempo máximo diário de trabalho ou até mesmo por não ter treinamento para operações ETOPS, que são aquelas em que o avião passa muito tempo sobre a água, com limitadas opções para alternar, em caso de pane de um motor. Por outro lado, seria improvável pensar que o aviador não teria condições de pilotar o Boeing 757, que faz essa rota.

Independente do motivo, tamanho atraso certamente causou enorme irritação nos passageiros e soa muito fora do nível de serviço que deve ser prestado por uma das maiores empresas aéreas do mundo. Nessa mesma linha, a Delta tem sido criticada nos últimos tempos por demitir 30% dos funcionários na pandemia, embora tenha recebido bilhões de dólares em ajudas do governo.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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