‘Voos fantasmas’ voltam a assustar a Europa

Airbus A330 da Brussels Airlines – Imagem: Siwtme, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Nesta semana uma notícia repercutiu pelo mundo sobre a volta massiva dos “voos fantasmas” operados por algumas companhias aéreas na Europa. Essas operações nada mais são do que voos sem passageiros, apenas para que as empresas aéreas consigam manter slots nos aeroportos.

Uma das companhias aéreas, a belga Brussels Airlines teria operado cerca de 3 mil voos vazios no inverno do hemisfério norte para diversos aeroportos, enquanto a Lufthansa teria realizado o mesmo procedimento 18.000 vezes, tudo para garantir o espaço em terminais europeus.

Com o alto número de voos sem necessidade e as toneladas de CO₂ jogados na atmosfera, a população local volta a ficar assustada com os impactos ao meio-ambiente e o governo belga pediu à União Europeia uma análise sobre a regra para a garantia dos slots, que já havia sido modificada antes, no começo da pandemia.

A taxa de voos para a garantia dos slots era de 80%, mas com a chegada da pandemia esse número foi reduzido para 50%, embora ainda sendo alta para o contexto. Agora, a preocupação é que com as viagens voltando à normalidade, esse número possa subir novamente.

Em uma carta, o ministro da mobilidade da Bélgica, Georges Gilkinet disse à comissão europeia de transportes que os altos números de voos desse tipo são totalmente contra o que a União Europeia tem como objetivo ecológico.

Entidade é contra as empresas

A ACI Europe, entidade comercial aeroportuária, expressou consternação com o que chama de “escalada da retórica política em torno dos ‘voos fantasmas'”, e reiterou seu apoio à posição da Comissão Europeia sobre os limites atuais (50%) para o uso de slots de aeroporto pelas companhias aéreas.

Para a ACI, o limite atual é justo e significativamente inferior ao definido ao abrigo do princípio 80/20 “use ou perca”, aplicável em tempos normais. Ele foi projetado para refletir as incertezas e a frágil recuperação da aviação.

A entidade, que representa vários aeroportos, disse que também existe uma disposição específica para o que as Diretrizes Mundiais de Slots de Aeroporto chamam de “Não Uso Justificado de Slots” (JNUS) criada na pandemia. Por elas, as companhias aéreas podem, a qualquer momento, apresentar o caso aos coordenadores de slots para a aplicação desta disposição, permitindo-lhes utilizar os slots de menos de 50% do tempo. 

Olivier Jankovec , Diretor Geral da ACI Europe, disse: “Algumas companhias aéreas afirmam que são forçadas a realizar grandes volumes de voos vazios para manter os direitos de uso de slots nos aeroportos. Não há absolutamente nenhuma razão para que isso seja a realidade. Como foi claramente declarado pela Comissão Europeia em sua coletiva de imprensa, as regras de uso de slots focam em duas coisas nas atuais circunstâncias. Em primeiro lugar, proteger as companhias aéreas das piores imprevisibilidades que estão fora do nosso alcance. Em segundo lugar, e mais importante, também garantir que a capacidade aeroportuária ainda seja utilizada de forma pró-competitiva”.

A pandemia atingiu a todos nós com força. Equilibrar a viabilidade comercial com a necessidade de manter a conectividade essencial e proteger contra consequências anticompetitivas é uma tarefa delicada. Acreditamos que a Comissão Europeia acertou. Falar de voos fantasmas e de seus impactos ambientais parece sugerir um cenário do Juízo Final que não tem lugar na realidade. Vamos nos ater à tarefa vital de recuperar e reconstruir o setor juntos”.

A batalha vai longe.

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Juliano Gianotto
Ativo no Plane Spotting e aficionado pelo mundo aeronáutico, com ênfase em aviação militar, atualmente trabalha no ramo de fotografia profissional.

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