França aprova uso obrigatório mínimo de biocombustíveis pela aviação

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O parlamento da França aprovou uma lei que determina o uso de combustível ecológico e menos poluente por todas as companhias que abastecerem no país a partir de 2022. A medida visa reduzir as emissões de dióxido de carbono e contribuir com as metas europeias de combate às mudanças climáticas.

De acordo com a nova legislação, a partir de 2022, todo reabastecimento de uma aeronave comercial no país deve usar, no mínimo, 1% de combustível renovável de biojato. Esse índice sobe para 2% até 2025, 5% até 2030 e 50% até 2050. Os biocombustíveis liberados são produzidos a partir de resíduos vegetais ou animais e emitem até 80% menos CO2 do que o querosene de origem fóssil, que é comumente usado nos aviões.

A lei está alinhada com ações europeias de combate ao aquecimento global e mudanças climáticas decorrentes da poluição. Segundo a agência Reuters, a Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, estuda implementar metas ainda mais ambiciosas que as anunciadas pela França. O objetivo de estabelecer o limite mínimo de 5% de querosene ecológico em 2030, conforme aprovado na França, foi recusado neste mês por ser considerado baixo demais. Agora, uma nova proposta deve ser discutida.

Conforme divulgado pela agência de notícias, os chamados Combustíveis Sustentáveis ​​para a Aviação (SAF, em inglês), como os biocombustíveis líquidos avançados ou os produzidos por eletricidade renovável, representam, atualmente, menos de 1% do consumo de toda a aviação na Europa.

Custo

Apesar da medida ecologicamente correta, a iniciativa tem gerado críticas por setores da economia francesa por impactar nos custos operacionais das companhias aéreas. Segundo reportagem no jornal francês Conexion France, o querosene renovável ​para aviões a jato é de três a seis vezes mais caro do que os combustíveis de origem fóssil, dependendo da tecnologia.

Se o custo for repassado para o consumidor, o preço das passagens aéreas deverá subir. Um bilhete entre Paris e Nova York, por exemplo, em uma aeronave que utilize 1% de combustível biológico, custará a cada passageiro cerca de € 4 (R$ 25) a mais.

Noruega, Finlândia, Suécia, Espanha e Holanda também estabeleceram metas para aumentar o uso de biocombustíveis por aviões comerciais.

Em todo o mundo, apesar da tecnologia atual permitir um aumento da demanda, os preços elevados enfraquecem o interesse pelas companhias aéreas. Para a Comissão Europeia, a evolução do debate público sobre a importância da proteção ambiental tem causado mudanças no posicionamento da indústria.

A Comissão também informou recentemente, segundo a Reuters, que grandes aeronaves com emissão zero de poluentes devem estar prontas para o mercado até 2035 – prazo que a Airbus estabeleceu para colocar em operação um avião sem emissão de carbono.

Fabio Farias
Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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