
A aeronave com que a Airbus tem ganhado mais mercado diante da Boeing já está em operação no Brasil, e acompanhamos uma das rotas abertas pela Iberia que só é possível por causa do A321XLR.
Fabricado a partir do A321neo, porém com espaço do porão sendo utilizado para tanques de combustível, aumentando o seu alcance para cobrir com folga a rota entre a capital espanhola e o Nordeste brasileiro, o A321XLR foi estreado globalmente pela Iberia, com os voos a partir de Madri para Fortaleza e Recife sendo duas das três primeiras rotas do modelo no mundo.
Por ser uma aeronave de apenas um corredor, existe um questionamento natural sobre se o A321XLR é tão confortável como os jatos de dois corredores, notoriamente o Airbus A330 e o A350XWB que a Iberia já utiliza para o Brasil nos voos para São Paulo e Rio de Janeiro. Sendo a única aeronave da frota da Iberia em que ainda não tínhamos voado, podemos comprovar as diferenças entre os dois modelos neste voo de Fortaleza até Madri.
A começar pelo Aeroporto de Fortaleza, que se tem tornado um hub importante no Nordeste, a destacar pela forte presença da LATAM, parceira da Iberia e que tem expandido os voos a partir da capital cearense, inclusive com voos internacionais para Lisboa. A GOL também realiza voos para Orlando e Buenos Aires, mas as estrangeiras têm tido uma presença significativa: a Air France voa para Caiena e para Paris, inclusive com um voo que decola logo após o da Iberia, enquanto a TAP tem voos com o A330-200 vindos diretos de Lisboa enquanto também faz a rota triangular Lisboa – São Luís – Fortaleza – Lisboa, com o A321LR, que tem alcance menor que o XLR porém uma capacidade superior de passageiros e carga.

No caso da Iberia os jatos A321XLR são configurados para 182 passageiros, sendo 14 assentos-cama na executiva e 168 na econômica.
Todos os passageiros da executiva da companhia aérea espanhola têm acesso à sala VIP da W Lounge em Fortaleza, incluindo a cortesia do uso da ducha no banheiro, que se torna bastante prático após um dia na praia, que é convenientemente perto do Aeroporto Pinto Martins, a menos de 30 min de carro até a areia.
O nosso voo sofreu um leve atraso pela partida tardia em Madri, sendo que fomos avisados sobre o mesmo ainda no check-in, com conexões perdidas já sendo tratadas ali mesmo no balcão. Como nosso destino final era a capital espanhola, optamos por permanecer um tempo maior na sala VIP, que tem espaço limitado, mas conta com reserva de assentos para os clientes Iberia na executiva, e apesar de o Boeing 777 da Air France chegar enquanto o nosso embarque iniciava, não ocorreu um “congestionamento” na sala de embarque.

Escolhemos o assento 4F, por ser bem no meio da executiva e próximo o suficiente à asa para ver o motor. Uma curiosidade é que o assento fica numa posição mais perpendicular que paralela ao corredor, dado o tamanho do A321XLR, porém isso cria uma espécie de “corredor” até o assento, e dá maior privacidade, mesmo não contando com a porta deslizante que está presente no A350XWB.
Por causa deste ângulo a tela gira para ficar de frente para o passageiro, e também tem uma inclinação vertical para permitir assistir a filmes deitados. Ao chegar ao assento são disponibilizados uma coberta, um travesseiro e também um minicolchonete, como se fosse uma fronha, de maneira a deixar ainda mais confortável para dormir.
Um serviço de bebidas antes da partida é feito, assim que o embarque da classe econômica termina. Inclusive o tempo de embarque é um dos diferenciais do A321XLR, já que apesar de ter apenas um corredor, o número menor de passageiros acaba facilitando todo o processo do portão até o assento.

Decolamos pela pista 13 do Aeroporto de Fortaleza, e chamou a atenção a potência do A321XLR, que no caso do avião da Iberia possui motores CFM LEAP com 32 mil libras de empuxo cada, certificados especialmente para os voos transatlânticos e de maior duração desta variante.
Nossa subida inicial levou 25 minutos até o nível de voo 310, depois com a aeronave ficando mais leve subimos até o nível 330, seguido pelo 350 e sendo 36.000 pés (10.970 m) nossa altitude final, quando o jato já estava sobre as Ilhas Canárias.
Logo após a decolagem nos foi apresentado o menu, sendo que para entradas estavam disponíveis as opções de rosbife servido com queijo muçarela, tomates confitados e redução de vinagre balsâmico, ou uma salada de beterraba e pera assada com creme de queijo gorgonzola e pesto de brócolis.

Já nos pratos principais as opções eram um peito de frango grelhado com ervas finas, molho de queijo azul, batatas e tomate, ou um filé de salmão grelhado servido com purê de abóbora e aspargos frescos, sendo a opção vegana um ravióli de tomate seco e queijo ao molho bechamel, servido com queijo fresco marinado e castanha.
Para sobremesas estavam disponíveis uma mousse de três chocolates com calda de frutas vermelhas e morangos, um sorvete de baunilha com gotas de chocolate e frutas da estação ou uma seleção de queijos servida com damasco seco e uvas. Também acompanhavam a refeição alguns pães artesanais e um pão de queijo, sendo bastante rara esta iguaria mineira em voos saindo do Brasil.
Optamos pela primeira opção de cada seção do menu, e curiosamente a entrada é servida junto do prato principal, possivelmente por uma limitação no tamanho do carrinho de refeições (trolley) para o tamanho da aeronave.

Vale destacar nas refeições o ponto do frango grelhado, que estava ótimo e também as batatas, com bom tempero. A mousse estava sublime e não ficou enjoativa mesmo com muito chocolate. Para as bebidas estava disponível uma grande seleção de vinhos, cervejas, refrigerantes e sucos, notando apenas a ausência de destilados.
Após as refeições foi a hora de explorar o entretenimento, e não dá para dissociar esta experiência da Starlink. Durante todo o voo foi possível acompanhar o que acontecia em terra graças à internet de alta velocidade que atingiu 286 Mb/s de download e 30 Mb/s de upload.

A internet funciona desde o embarque, e podemos acompanhar inclusive a câmera em tempo real do canal Mundo Avião, que mostrava o nosso A321XLR decolando. Durante o voo foi possível ver séries da AppleTV, Netflix e Amazon Prime sem nenhum problema, desde que fosse em 1080p e não em 4k. Parte destas séries do streaming estão no sistema de entretenimento da Iberia, que está bastante atualizado e acompanha essa tendência de mesclar títulos do cinema com o streaming.
Durante a noite foi possível dormir por quase 5 horas ininterruptas, sendo notável que o A321XLR é mais silencioso que o A330, com um nível de ruído interno bem próximo do A350XWB. O assento da executiva da Iberia nesta aeronave é o VantageSOLO da Thompson Aero, e não apresenta um afunilamento considerável na área dos pés, algo que pode incomodar em outros assentos de executiva em jatos maiores.

A área para deixar sapatos logo abaixo do descanso para os pés também é um diferencial, sendo bastante prática para ida ao banheiro, que neste jato são quatro: um na frente, exclusivo para a Executiva, e três na parte traseira para a classe econômica. O tamanho deles não é diferente do dos banheiros do A321neo regular ou de qualquer jato da família A320neo.
A nécessaire da Iberia é equipada com um kit de escova de dente e pasta dental, creme para as mãos, hidratante labial, protetor auricular, venda para os olhos e as meias, que são extremamente confortáveis e perfumadas, trazendo uma assinatura bastante forte do produto.

Passageiros da executiva também contam com fone do tipo concha, mas também podem optar por conectar seu fone bluetooth ao sistema de entretenimento, algo também disponível na econômica.
Faltando 1 hora e 30 minutos para nossa chegada a Madri foi iniciado o serviço de bordo do café da manhã, com opções de chá, café e sucos. Para alimentação estavam disponíveis panquecas ou omelete, acompanhadas de batatas, espinafre e jamón (presunto espanhol curado). A quantidade estava boa e serviu como um café da manhã para iniciar o dia na capital espanhola.

Pousamos em Madri um pouco depois das 7h, e paramos ao lado de outro A321XLR numa posição remota, o que poderia ser um certo desconforto acabou sendo algo vantajoso: desembarque pelas portas dianteira e traseira, sendo utilizados apenas dois ônibus para levar todos os passageiros, que chegaram ao Terminal 4 Satélite (T4S) apenas com o cruzar do pátio, com praticamente nenhuma fila para a imigração.
No geral a comodidade de realizar um voo direto do Nordeste para Madri é um dos diferenciais que o A321XLR torna viável. Por ser uma rota mais curta, os efeitos do jet lag são menores, além de que aeroportos menores costumam ter experiências menos estressantes para qualquer passageiro, além de exigir uma chegada menos antecipada, passando mais tempo em casa ou aproveitando mais as férias.

As diferenças de assento entre o A321XLR e o A350XWB são poucas, sendo mais notadas de fato quando se levanta e vai até o banheiro, por ser um único corredor, mas por outro lado se anda menos, e a proporção de passageiros por banheiro inclusive é a mesma em ambas as classes. Por ter menos passageiros acaba facilitando o sono, por ter menos pessoas que possam incomodar com ruídos ou luz de tela.
Esta combinação de características de conforto de uma aeronave grande numa rota mais curta (considerando o mercado aéreo brasileiro) faz com que a operação do A321XLR da Iberia seja um sucesso e venha para ficar, como foi comprovado pelo aumento de frequências logo no início da operação.


O AEROIN viajou de Fortaleza a Madri a convite da Iberia





