
A Airbus concluiu uma importante etapa de testes de desenvolvimento do A350F, sua futura aeronave cargueira de grande porte, com a realização dos ensaios de vibração em solo (Ground Vibration Test – GVT). O procedimento foi realizado durante três dias em junho, em Toulouse, na França, e representa um passo fundamental antes do primeiro voo do modelo.
O programa A350F segue avançando em direção ao início da campanha de testes em voo, após uma série de avaliações rigorosas de desenvolvimento e certificação. Antes do GVT, a primeira aeronave do modelo em fase de montagem final já havia passado por testes em solo na linha de montagem final da Airbus em Toulouse, enquanto equipamentos como a porta principal de carga (Main-Deck Cargo Door – MDCD) e o sistema de carregamento de carga (Cargo Loading System – CLS) foram avaliados em bancadas de testes em Bremen, na Alemanha.
O objetivo do Ground Vibration Test é analisar e validar o comportamento dinâmico da aeronave. Durante o ensaio, a estrutura do avião é submetida a vibrações controladas para medir sua resposta e aprimorar os modelos computacionais utilizados nos estudos de aeroelasticidade e no cálculo de cargas dinâmicas.

Segundo Nicolas Lastere, especialista em cargas e aeroelasticidade da Airbus, a validação obtida com o GVT é essencial para o primeiro voo, pois fornece dados necessários para concluir a primeira etapa de validação dos modelos aeroelásticos e permitir a futura ampliação do envelope de voo da aeronave.
Para a realização dos testes, a equipe técnica iniciou os preparativos dias antes da campanha, incluindo a instalação de sensores, equipamentos de excitação eletrodinâmica, sistemas de aquisição de dados, configuração da aeronave e pesagem do avião.
Durante o procedimento, o A350F foi submetido a estímulos por dois métodos principais: atuadores externos de vibração e movimentação dos próprios comandos de voo da aeronave. A resposta estrutural foi registrada por acelerômetros, permitindo identificar com precisão as características dinâmicas do avião.
A Airbus utilizou ainda uma abordagem de fusão de dados para otimizar a duração dos testes. O método combinou os sistemas próprios de instrumentação de testes em voo (Flight Test Instrumentation – FTI) da aeronave com sensores autônomos adicionais instalados especificamente para a campanha.

De acordo com Fabien Ayme, especialista em testes aeroelásticos da Airbus, durante os ensaios a aeronave foi “exercitada” por movimentos dos comandos de voo realizados em diferentes faixas de frequência. Além disso, vibradores foram instalados em pontos estratégicos da estrutura, incluindo as pontas das asas, a região traseira da fuselagem e os motores, ampliando a variedade de estímulos aplicados.
Após a conclusão dos testes, a equipe considerou que os resultados apresentaram alta qualidade e demonstraram boa correspondência com as previsões dos modelos teóricos utilizados no desenvolvimento da aeronave.
Com o GVT concluído semanas antes do primeiro voo, a Airbus agora concentra esforços no processamento dos dados obtidos e no ajuste dos modelos computacionais. Os resultados serão fundamentais para a próxima fase de avaliações, os testes de vibração em voo, conhecidos como “testes de flutter”.
Durante essa etapa, prevista para os primeiros três meses da campanha de testes em voo, o A350F será levado progressivamente aos seus limites operacionais, incluindo a velocidade máxima de mergulho e o limite máximo de Mach (VD/MD). Esses ensaios serão uma das últimas etapas antes da certificação e entrada em serviço da nova aeronave cargueira.
Segundo a Airbus, a validação da dinâmica estrutural em solo permitirá que o A350F realize seu primeiro voo com maior confiabilidade, sustentado por modelos aeroelásticos que foram testados, medidos e aprimorados ao longo do programa de desenvolvimento.





