Airbus projeta que as viagens aéreas no Brasil dobrarão nos próximos 20 anos

Airbus A321neo | Foto: Clément Alloing

A Airbus divulgou seu novo Global Market Forecast (GMF) 2026-2045, projetando que o mercado mundial precisará de 42.060 novas aeronaves ao longo dos próximos 20 anos.

Segundo a fabricante europeia, a expansão será impulsionada pelo crescimento econômico, pela urbanização, pela ampliação da classe média e pela renovação das frotas, com destaque para o predomínio dos aviões de corredor único (single-aisle), que representarão 81% das entregas previstas.

De acordo com a projeção, das 42.060 aeronaves necessárias até 2045, 22.240 serão destinadas à expansão da frota global, enquanto outras 19.820 substituirão modelos mais antigos. Os aviões de fuselagem larga (widebodies) responderão pelos 19% restantes da demanda.

A fabricante afirma que o crescimento do tráfego aéreo continuará resiliente, mesmo diante de desafios de curto prazo, como conflitos regionais e oscilações nos preços dos combustíveis. A expectativa é que o número de passageiros cresça, em média, 3,9% ao ano, impulsionado pelo avanço de 2,6% ao ano do Produto Interno Bruto (PIB) global, pelo aumento de 1,3 bilhão de habitantes em áreas urbanas e pela expansão da classe média mundial.

Até 2045, o volume de passageiros transportados deverá mais do que dobrar, alcançando aproximadamente 10 bilhões de pessoas por ano. Nesse período, a população da faixa de renda com maior propensão a viajar de avião deverá crescer em 1,4 bilhão de pessoas, um aumento de 34%.

No Brasil a média hoje é de 0,5 voos por habitante, e segundo a fabricante este número chegará em 1.0 até 2045, crescendo no mesmo ritmo da África do Sul, Colômbia, Coreia do Sul e Egito.

Outro destaque do estudo é a transformação das malhas aéreas globais. A Airbus prevê que o crescimento da urbanização será mais acelerado em cidades de pequeno e médio porte, que deverão expandir em ritmo quase três vezes superior ao dos grandes centros urbanos. Esse cenário favorecerá a abertura de novas ligações diretas entre cidades anteriormente consideradas inviáveis economicamente.

Segundo a fabricante, aeronaves mais eficientes e com maior alcance permitirão ampliar a conectividade para além dos grandes hubs. Entre os exemplos citados estão rotas como Riga-Tenerife e Melbourne-Alice Springs, operadas com o A220, além de ligações de maior alcance como Lisboa-Recife com o A321neo, Dublin-Nashville com o A321XLR, Argel-Kuala Lumpur com o A330neo e Taipé-Phoenix com o A350.

A estratégia industrial da Airbus acompanha essa tendência de mercado. A empresa informa possuir uma carteira de aproximadamente 9 mil aeronaves encomendadas, sustentando a produção de toda a sua linha comercial, do A220 ao A350. Para atender à elevada demanda, a fabricante mantém a meta de elevar a produção da Família A320 para 75 aeronaves por mês.

A empresa destaca ainda que mais de 70% do backlog atual da Família A320 corresponde às versões maiores A321neo e A321XLR, consideradas ideais para atender às novas rotas de média e longa distância com elevada eficiência operacional. Já os A330neo e A350 deverão continuar atendendo às rotas de maior capacidade e de longo alcance, enquanto o A350 Freighter ganha espaço no segmento de carga expressa.

O estudo também aponta uma mudança gradual no centro de crescimento da aviação mundial em direção à região Ásia-Pacífico. Economias como Índia, Vietnã, Indonésia e Malásia deverão liderar a expansão da demanda, acompanhadas pelo aumento da migração internacional e das viagens para visita a familiares e amigos.

Além do crescimento da frota, a Airbus projeta uma profunda renovação tecnológica do setor. O envelhecimento das aeronaves após a pandemia acelerou a necessidade de substituição por modelos mais modernos, mais eficientes em consumo de combustível e com menores emissões de dióxido de carbono (CO₂).

Como resultado desse processo, a fabricante estima que, até 2045, praticamente 100% da frota comercial mundial será composta por aeronaves de última geração. Atualmente, esse percentual é de cerca de 39%, evidenciando o ritmo acelerado de modernização esperado para as próximas duas décadas.

Mateus Alves
Mateus Alves
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial #2A

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