Almejando a venda do caça Rafale à FAP, Dassault fecha acordo com a indústria aeronáutica portuguesa

Caça F-16 de Portugal e Rafale da Grécia | Foto: USAF/Tech. Sgt. Emili Koonce

A Dassault Aviation assinou, em nome dos parceiros do programa Rafale, Thales e Safran, um memorando de entendimento com a AED Cluster Portugal, associação que representa as indústrias aeronáutica, espacial e de defesa do país, para avaliar possíveis áreas de cooperação com o setor industrial português.

O acordo está relacionado ao processo de renovação da frota de caças F-16 da Força Aérea Portuguesa e ocorre após a apresentação oficial de uma oferta do Rafale ao governo português e à própria força aérea, realizada em julho de 2026. A assinatura foi realizada na Embaixada da França em Portugal, na presença do embaixador francês no país, Pierre Asvazadourian.

Segundo a Dassault Aviation, o memorando demonstra a intenção das empresas envolvidas no programa Rafale, que já possuem presença em Portugal, de ampliar a cooperação com a AED Cluster Portugal e com companhias locais dos setores aeroespacial e de defesa.

A fabricante francesa afirma que a iniciativa pretende aproveitar relações industriais já existentes, ampliar a participação de empresas portuguesas e contribuir para o fortalecimento da economia e da soberania industrial do país.

A movimentação ocorre enquanto Portugal avalia alternativas para substituir sua atual frota de caças F-16. Com a oferta apresentada em julho, o Rafale passou a integrar formalmente as opções colocadas pela indústria para atender ao futuro programa de renovação da aviação de combate portuguesa.

Por outro lado a Força Aérea Portuguesa (FAP) não iniciou formalmente o processo de substituição dos seus 25 caças Lockheed Martin F-16A/BM Fighting Falcon, apesar de já ter vocalizado uma preferência pelo F-35A, também fabricado pela Lockheed.

Com o tarifaço de Donald Trump, uma irritação foi causado com a União Europeia e acabou se abrindo a possibilidade de compra de aeronaves feitas dentro do bloco, com o Gripen da Saab e o Rafale da Dassault sendo as opções já ofertadas oficialmente e mais proeminentes na disputa, apesar do Typhoon do consórcio Eurofighter também ser uma possibilidade.

Foto: Dassault

O Rafale é produzido pela Dassault Aviation com participação de empresas como Thales e Safran. A fabricante francesa informa ter entregado mais de 10 mil aeronaves militares e civis para mais de 90 países ao longo de 110 anos de atividades. Em 2025, a companhia contava com aproximadamente 15 mil funcionários e registrou faturamento de 7,4 bilhões de euros.

A AED Cluster Portugal, por sua vez, reúne mais de 180 membros, entre empresas, universidades e institutos de pesquisa ligados aos setores aeronáutico, espacial e de defesa. A entidade atua na promoção da competitividade, inovação e internacionalização da indústria portuguesa nesses segmentos.

Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

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