
Com menos de dois anos para o término do mandato do presidente João Lourenço, Angola intensifica o processo de privatização de suas principais empresas estatais, incluindo a companhia aérea nacional TAAG.
O governo planeja concluir até o final de 2026 a venda de participações em dez empresas, entre elas a TAAG, como parte da fase final do programa PROPRIV, lançado em 2019 para reduzir o papel do Estado na economia e atrair investimentos privados.
A privatização da TAAG será realizada por meio de concorrência pública, refletindo a estratégia do governo de diversificar os métodos de venda, que também incluem ofertas públicas iniciais (IPO) para outras empresas como Unitel, Endiama e Cimangola. A intenção é preservar o potencial comercial das estatais, melhorar a eficiência e aumentar a arrecadação pública.
Até o momento, Angola já privatizou 120 dos 130 ativos previstos no programa, gerando cerca de 1,28 trilhão de kwanzas (aproximadamente US$ 1,4 bilhão) em receitas, embora parte desse montante ainda esteja pendente de recebimento.
A venda da TAAG, uma das maiores e mais estratégicas empresas estatais do país, é considerada crucial para garantir a continuidade da conectividade aérea nacional e o fortalecimento do setor de transporte aéreo.
O diretor do Instituto para Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), Álvaro Fernão, ressaltou que as operações visam desbloquear o potencial comercial das empresas e proteger empregos, além de contribuir para a sustentabilidade econômica do país.
Enquanto a TAAG e outras estatais avançam no processo de privatização, a empresa petrolífera Sonangol terá seu IPO adiado para 2027, devido à complexidade do processo e ao curto prazo restante do programa. O petróleo segue sendo o principal motor da economia angolana, representando a maior parte das exportações e da receita governamental.
O esforço do governo para concluir as privatizações ocorre em meio a um cenário de preços elevados do petróleo, que tem aliviado as finanças públicas, e a um contexto político delicado, com as eleições presidenciais previstas para 2027 e um cenário eleitoral mais competitivo para o MPLA, partido de Lourenço.





