
A Embaixada dos Estados Unidos em Lima afirmou nesta terça-feira (22) que o governo americano “foi além” para atender às demandas do Peru no processo de aquisição de novos caças, em meio à crise política desencadeada pela tentativa de adiar a compra dos F-16.
Segundo o comunicado, o Peru já havia identificado, há mais de uma década, a necessidade de modernizar sua frota de aeronaves de combate. Em 2024, o país iniciou um processo competitivo de licitação, no qual os Estados Unidos participaram por meio da Lockheed Martin.
De acordo com a embaixada, a proposta apresentada incluiu o caça F-16C/D Block 70 (F-16V Viper), considerado a versão mais avançada já produzida do modelo, além de um pacote completo de treinamento e suporte técnico. O plano prevê capacitar profissionais peruanos para realizar manutenção, engenharia e sustentação das aeronaves ao longo de sua vida útil, garantindo autonomia operacional ao país.
O governo americano destacou que, ao longo de cerca de um ano e meio de negociações, manteve cooperação contínua com autoridades peruanas, mesmo diante de mudanças políticas e atrasos no cronograma. Ainda segundo o comunicado, a proposta foi estruturada para atender plenamente aos requisitos técnicos, financeiros e processuais estabelecidos por Lima.
A oferta também inclui investimentos no setor aeroespacial peruano, com geração de empregos e desenvolvimento industrial, como parte de um pacote mais amplo de cooperação bilateral.
A embaixada ressaltou que todo o processo seguiu rigorosamente as etapas definidas pelo governo peruano. Segundo o texto, a Lockheed Martin foi formalmente informada de sua seleção em 14 de abril, com assinatura técnica inicialmente prevista para o dia 17. No entanto, o adiamento foi comunicado por rádio nacional pelo presidente interino, antes de um novo acordo técnico ser efetivamente assinado em 20 de abril, com conhecimento das autoridades peruanas.
O posicionamento americano ocorre após declarações do presidente interino José María Balcázar, que defendeu o adiamento da compra para o próximo governo, o que provocou hoje a renúncia de ministros e reação do Congresso peruano.
No comunicado, os Estados Unidos alertam que eventuais atrasos podem elevar significativamente os custos do projeto. Segundo o governo americano, a produção de aeronaves como o F-16 envolve uma cadeia complexa de fornecedores e contratos com prazos limitados, o que impede a manutenção das condições comerciais por longos períodos.
“A oferta atual não será a mesma em algumas semanas ou meses”, diz o texto, ao destacar que o aumento de custos e o interesse de outros países podem alterar os termos disponíveis ao Peru.
O jornal Peru21 obteve com exclusividade o comprovante de transferência de US$ 462 milhões de dólares feito hoje através do SWIFT entre a conta do governo peruano no Banco de la Nación e outra conta de mesma titularidade, mas no Citibank de Nova York. Este montante foi transferido posteriormente para a Lockheed Martin, fabricante da aeronave:
🚨 Aviones de guerra: MEF pagó US$462 millones a Estados Unidos
— Perú21 (@peru21noticias) April 22, 2026
➡️ Documento al que accedió Perú21 confirma que primera transacción financiera por los caza F-16 se realizó esta tarde desde el Banco de la Nación.
Toda la información en esta nota: https://t.co/vppCowkJ64 pic.twitter.com/MtQPagbpTm
