Boeing 777: na data de hoje, em 1994, decolava pela 1ª vez o “Triplo-Sete”

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A data de hoje, 12 de junho, marca o aniversário da primeira decolagem de um Boeing 777 na história. Há 26 anos, em 1994, subia ao céu um novo modelo que já revolucionava a indústria por seu inédito desenvolvimento amplamente computadorizado, mas ainda continuaria a revolução também em termos operacionais.

777 Maiden Flight 1994
Primeira decolagem da história do Boeing 777

Projetado para preencher a lacuna entre os modelos 767 e 747 da Boeing e substituir os DC-10 ou L-1011s mais antigos, o 777 foi desenvolvido em consulta com oito grandes companhias aéreas, resultando no maior avião bimotor a jato da história, posição superada apenas por seu atual sucessor 777X.

Foi também o primeiro modelo da Boeing a ter sistema fly-by-wire, em que os comandos de voo são acionados eletricamente, ao invés de se utilizarem de cabos ligados até o manche dos pilotos.

Com uma primeira reunião em janeiro de 1990, o programa foi lançado em 14 de outubro do mesmo ano com um primeiro pedido da United Airlines. O protótipo foi lançado em 9 de abril de 1994 e voou pela primeira vez no mesmo ano, neste dia 12 de junho, tendo entrado em serviço comercial quase um ano depois pela United, em 7 de junho de 1995.

Confira a seguir um rápido documentário com belas imagens do primeiro voo do bem-sucedido “Triplo-Sete”, sob a perspectiva do Comandante John Cashman, piloto chefe do Programa 777. (Obs.: o vídeo está em inglês, mas logo abaixo dele você encontra todas as falas traduzidas).

0:24 – “Do ponto de vista de como eu me preparei antes do voo, a única coisa que eu poderia fazer naquele estágio era ter uma boa noite de sono.”

0:36 – “Não há muito o que você possa juntar no último minuto, última hora, do conhecimento que você tenha, que vá ajudar a cumprir ou estragar o voo.”

1:02 – “Um primeiro voo é algo desconhecido, mas não necessariamente algo de alto nível de risco. O sistema básico de operação foi checado no laboratório de integração. Isso foi o elemento chave, eu acredito, para nos dar confiança para o primeiro voo. Nós realmente analisamos aquela situação muito bem. No programa de teste de voo, nós validamos o que havíamos feito nas simulações.”

1:48 – “Em minha visão, qualquer falha que encontramos no programa de teste ou no laboratório de integração antes do voo, agora é o sucesso. É o que uma aeronave pronta para serviço significa, é definir problemas e os corrigir, e não haver esse processo ocorrendo depois que os clientes recebam a aeronave.”

2:29 – “Por mais que tenhamos utilizado o termo “trabalho conjunto”, eu realmente acredito que esse projeto melhorou a comunicação. Tínhamos planos e processos em curso que comunicavam problemas, e todos podiam trabalhar nas soluções juntos.”

2:45 – “Os clientes tiveram um papel muito fundamental em todo o processo e isso os colocou em uma posição diferente, não apenas por estarem envolvidos conosco desde cedo, mas por terem tomado suas decisões desde cedo. Então suas sugestões ocorreram desde cedo, as decisões por seu lado foram desde cedo, e o que isso fez por nós foi permitir que definíssemos o design e trabalhássemos no design até que pudéssemos fazê-lo da forma correta.”

3:14 – Controladora de voo: “Boeing Triplo Sete um heavy”, aqui é a Torre de Paine, pista 34L, sua decolagem está autorizada. Vento 150º com 10 nós.

4:04 – “Expectativas foram mais que satisfeitas. Eu não esperava que a aeronave fosse tão bem, quer dizer, você sempre espera que sim, mas eu senti que essa aeronave, como um novo modelo, realmente foi excepcionalmente bem.”

4:33 – “Eu acredito que os pilotos de linha aérea que eventualmente tripularem a frota ficarão muito satisfeitos quando tiverem suas mãos na aeronave. Ela provê muitas capacidades que os ajudarão onde eles possam utilizar alguma ajuda, e mesmo assim ela dará a eles o controle completo da aeronave e fará o que eles quiserem que ela faça. É uma aeronave muito prazerosa de se voar.”

4:58 – Controlador de voo: “Boeing Triplo Sete um heavy”, é a Torre de Paine, pista 16R, pouso autorizado. Vento 190º com 15 nós.

5:22 – “O primeiro voo, obviamente, é o começo. Do meu ponto de vista, é possivelmente o mais excitante voo, mas, por uma visão mais ampla do programa de teste, é apenas um dos muitos, muitos testes que fazemos. Desde o começo, fizemos desse teste um voo de engenharia, não apenas para decolar e pousar, mas nós, na verdade, fizemos testes, pegamos dados. Desligamos e religamos um motor no primeiro voo para pegar informações de engenharia. Então foi o começo do processo para ter a aeronave certificada e fazê-la pronta para o serviço aos clientes.”

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Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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