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Boeing 777X chega com muito potencial para pôr fim ao reinado do 747

Boeing 777-9 em voo de demonstração na última Dubai-Airshow. Imagem: NSH Aviation, via YouTube

Em fevereiro de 2019, a Boeing anunciou que havia recebido uma encomenda relevante de B777X para o grupo IAG, numa movimentação inequívoca de que o gigante bimotor estava a caminho se consolidar como o sucessor dos clássicos jumbos de quatro motores. Mas quais são, de fato, as qualidades que elevaram as expectativas sobre nova aposta da fabricante americana?

As duas maiores aeronaves da Boeing são também as mais vendidss para a exploração de voos de longa distância. Mas a gigante da indústria aeronáutica espera que o B777X seja o futuro da aviação.

“O grande avião do futuro para a indústria da aviação será o Boeing 777-9X. Ele transporta 400 passageiros, voa mais longe do que o 747 e o A380, hoje”, disse, recentemente, o vice-presidente de marketing da Boeing, Randy Tinseth, em entrevista ao Business Insider.

Com a progressiva desativação de Boeing 747 ao redor do mundo, o B777X vem como substituto natural. A aeronave assume a maioria dos aprimoramentos tecnológicos do B787 Dreamliner, mas com tamanho invejável. O Boeing 777X tem os maiores e mais eficientes motores feitos até hoje, além da melhor capacidade de transporte para um bimotor na história da aviação.

Imagem: Boeing

Família de sucesso

A linha B777 foi lançada em 1994 como a família dos maiores bimotores do mundo e uma resposta aos eficientes A330 da concorrente Airbus. Desde o lançamento, quase 2050 aeronaves foram encomendadas e 1.700 unidades entregues para companhias de praticamente todos os mais desenvolvidos países do planeta. A Emirates opera a maior frota de 777 do mundo, com 163 aeronaves. A variante da série mais bem sucedida é o 777-300ER, com 844 encomendas e 810 entregues até o final de 2020.

O 777X é o mais novo capítulo dessa história. Ele oferece muitas melhorias em relação a conforto dos usuários e operacionalidade, mas mantém o mesmo design básico e construção de metal da fuselagem dos 777 anteriores. O espaço interno é ligeiramente aumentado, porém, usando paredes mais finas e isolamento mais eficiente.

Disputa de gigantes

Na comparação com o Boeing 747-8, o maior da família 747, o B777-9 se mostra vantajoso. O avião de dois andares tem uma capacidade básica típica de 410 passageiros, de acordo com a Boeing, em uma configuração de três classes. No entanto, a fabricante o classifica para comportar o limite máximo de 563 assentos. A alemã Lufthansa opera o 747-8 em uma configuração de quatro classes com 364 lugares. Já a Korean Air e a Air China operam ao redor de 400.

Conforme o portal britânico Simple Flying, haverá duas versões do B777X: a maior, o B777-9, e a menor, o B777-8. O 777-9, o primeiro a ser lançado, tem capacidade para até 426 passageiros, em uma configuração de duas classes, de acordo com dados da Boeing. Já o irmão menor 777-8 oferecerá espaço para 384 viajantes e compete de perto com o A350-1000.

Boeing 747-8 da Lufthansa. Imagem: Kiefer. from Frankfurt, Germany / CC BY-SA

De acordo com os dados da Boeing, o 777-9 tem um comprimento total de 76,72 metros. O 747-8 é menor apenas por alguns centímetros, com 76,30 metros, mas o suficiente para colocar o bimotor no alto do pódio de aeronave de passageiros mais longa já construída. O Airbus A380, é claro, mantém o título de maior capacidade de passageiros, volume e peso, embora seus 72,72 metros de comprimento, a fazem significativamente mais curta.

De uma ponta a outra das asas, o B777-9 atinge 71,75 metros. No solo, as pontas das asas se dobram para reduzir a envergadura para 64,82 metros, o que facilita a acomodação da aeronave em aeroportos, sem a necessidade de reformas ou adaptações. Já o 747-8 tem uma envergadura total de 68,4 metros. O gigante A380 tem envergadura de asas de 79,75 metros, ganhando de todos, mas isso deu a ele limitações significativas nas operações e restringindo os pousos a um número limitado de aeroportos do mundo.

Eficiência

O motor GE9X é o maior já desenvolvido para um jato comercial até hoje. Eles têm um diâmetro maior com menos pás (16 em vez de 22), uso de materiais compostos de fibra de carbono mais leves e uma taxa de bypass mais alta (oferecendo melhor eficiência de propulsão). Junto com o aumento de sustentação das asas estendidas, isso proporcionará melhorias de eficiência significativas.

Motor GE9X do 777X. Imagem: Dan Nevill from Seattle, WA, United States / CC BY

Para se ter ideia, considerando a velocidade média de 929 km / h, a uma altitude de 32.000 pés, o Boeing 747-8 queima cerca de 10.114 L de combustível por hora. Isso equivale ao custo aproximado de US$ 7.150 por hora ou aproximadamente US$15,31 por assento/h com custo operacional total equivalendo a cerca de US$13.450 por hora.

Por outro lado, as variantes do Boeing 777 têm um custo operacional total médio de US$9.366 por hora. A tecnologia mais recente na última versão do produto 777 foi projetada para aumentar o desempenho da aeronave com baixo consumo de combustível, tornando-a a escolha ideal no segmento em comparação de consumo de combustível.

Em resumo, se a era dos quadrijatos parece estar caminhando para o fim, a Boeing apresentou um substituto de peso. Os Boeing 777, ao que tudo indica, continuarão a lotar aeroportos internacionais de todo mundo nas próximas décadas.

Com informações de Simple Flying, Aviation Nepal, Business Insider, Boeing.

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