
As companhias aéreas da Itália estão antecipando o movimento da Emirates para iniciar mais um voo para a América Latina, que teria escala no país europeu.
Em agosto, a companhia aérea árabe já tinha solicitado às autoridades italianas a permissão para voar de Milão até Lima, no Peru, aproveitando-se da 5ª liberdade do ar, que permitirá a comercialização dos bilhetes tanto de Dubai para Lima como da cidade italiana até a cidade peruana, assim como no sentido inverso.
A Emirates pretende explorar a ausência de voos diretos entre estas duas grandes cidades, mas já está causando incômodo na concorrência. Na semana passada, as companhias aéreas italianas Neos e, posteriormente, ITA Airways fizeram uma apelação formal à ENAC, a autoridade aeronáutica civil italiana, sobre a permissão do direito de 5ª liberdade para a Emirates na rota.
Como informa com exclusividade o jornal Corriere della Sera, a Neos (que não voa para a América do Sul) afirma que dar essa concessão à Emirates permitiria que a empresa estabelecesse, de fato, um hub europeu e que o benefício dado na rota Milão – Nova York, já operada pela companhia árabe, não deve ser algo rotineiro, e sim pontual, “para necessidades específicas“.
A Neos também afirma que a Emirates já se beneficia de ter um custo menor de operação (por ser uma empresa estatal de um país que é grande produtor de petróleo) e de ter um imenso hub em Dubai, o que torna a concorrência desleal com as companhias aéreas italianas e teria afastado oportunidades de compra para a Alitalia, hoje ITA Airways.
A Aeroitalia, outra companhia aérea italiana, só que de menor porte e que não opera voos intercontinentais, também se opôs à proposta da Emirates, afirmando que “não se devia dar esse direito a uma companhia aérea que nem é europeia, nem deveriam ter autorizado os voos para Nova York“. A ITA alega que pode começar os voos na rota antes da Emirates, mas não deu uma data nem detalhou o motivo de não ter feito isso antes, sendo apenas uma ação reativa à concorrência.
Por outro lado, Attilio Fontana, governador da região da Lombardia, onde fica Milão, defendeu a Emirates, afirmando que a rota tem demanda ignorada: “Eu acho que o Aeroporto de Malpensa tem o direito de garantir mais rotas à medida que pessoas querem vir para cá, então é um absurdo tentar direcionar voos para onde não tem demanda. Por isso, apoiamos a concessão da rota Malpensa-Lima, que abriria uma conexão estratégica com a América do Sul, além daquela para Dubai.”
A crítica do político italiano tem um pano de fundo: a única conexão de Milão com a América Latina em voos diretos é com a LATAM Brasil, que voa diariamente de Malpensa para Guarulhos, em São Paulo. Por outro lado, a capital Roma tem voos para Buenos Aires e Rio de Janeiro, além da própria São Paulo, e em breve contará novamente com a rota para Caracas, sendo que, na maioria destes trechos, a ITA tem concorrência de outras companhias aéreas.
Fontes afirmaram que a Emirates já considera que, caso a rota a partir de Milão seja bloqueada pelos italianos, voará para Lima através de Barcelona, na Catalunha, onde já opera voos para a Cidade do México também usando a 5ª liberdade, tendo ganhado a disputa jurídica após ser desafiada legalmente pela Aeroméxico. Neste caso, a rota é operada hoje exclusivamente pela LEVEL, subsidiária da Iberia.





