
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) emitiu uma nova diretriz de aeronavegabilidade (AD) que impõe uma série de medidas adicionais de segurança para os Boeing 787-8, 787-9 e 787-10 registrados no país.
O objetivo é evitar o risco de que o sistema de slats da asa dianteira permaneça fora de posição sem aviso ao cockpit, o que pode comprometer a sustentação durante operações cruciais, como decolagem e pouso.
A principal novidade da diretriz, que entra em vigor em 12 de novembro de 2026, é a obrigatoriedade de substituir os atuadores rotativos dos slats dianteiros externos por novos atuadores de bloqueio em locais específicos das asas (slats 2 e 11).
Estima-se que a troca custe US$ 32.375 por aeronave, totalizando cerca de US$ 5,63 milhões para a frota de 174 Boeing 787 afetados nos EUA. O valor engloba nove horas de mão de obra a US$ 85/hora e US$ 31.610 em peças.
Além do hardware, as companhias deverão revisar seus programas de manutenção para incluir uma nova exigência de certificação, referente à verificação funcional do freio de torque do sistema de transmissão dos slats.
Também permanecem obrigatórios os checagens operacionais repetitivas e restrições operacionais, como a proibição de retração dos flaps após pouso em condições de gelo.
A nova diretriz substitui e complementa requisito anterior de 2019, ao incorporar a necessidade de troca dos atuadores com base em avaliações da Boeing e recomendações posteriores da FAA.
O órgão entende que, se não corrigida, a falha pode resultar em perda de sustentação e em risco à segurança do voo sem alerta imediato à tripulação.
Além de responder à solicitação de esclarecimento sobre a proibição na retração dos flaps em gelo, pedida pela Boeing, a FAA deixou claro que todos os requisitos permanecem em vigor enquanto a nova diretriz não for totalmente cumprida pelos operadores. Comentários da ALPA e da United Airlines apoiaram a regra como proposta.
Os operadores afetados terão custos adicionais em inspeções frequentes, atualização do manual de voo, e revisão do programa de manutenção, estimando-se US$ 680 por verificação operacional, US$ 85 por revisão do manual e média de US$ 7.650 para implementação das mudanças programadas em toda a frota de uma empresa aérea.
Segundo a FAA, eventuais custos podem ser reduzidos se a Boeing cobrir parte das despesas sob garantia. Todas as informações técnicas detalhadas constam nos boletins Boeing já aprovados pela agência.
A FAA reforça que a alteração é necessária para mitigar o risco identificado e manter um padrão elevado de segurança nas operações com o Boeing 787. O órgão instrui os operadores a consultar a documentação oficial no Federal Register ou no site Regulations.gov para garantir pleno cumprimento até o prazo definido.





