Drone russo é flagrado com motor chinês, indicando dependência tecnológica de Moscou

Uma análise recente de um drone Geran-4 capturado pelas forças ucranianas confirmou que a Rússia está utilizando motores turbojato fabricados na China em sua nova geração de drones de ataque.

O motor identificado foi o Telefly TF-TJ2000A, produzido pela empresa chinesa Telefly e capaz de gerar cerca de 200 kgf de empuxo. Esta descoberta evidencia o papel central dos componentes chineses na evolução dos drones militares russos, que têm origem em projetos iranianos como os Shahed.

O relatório, divulgado pela Inteligência de Defesa da Ucrânia (DIU), traz detalhes estruturais do Geran-4, incluindo modelos tridimensionais, e também confirma o uso de outro motor chinês, o Telefly LX-WP-160.

Ao adotar propulsão a jato, o novo modelo atinge velocidades de até 500 km/h, altitude de até 5.000 metros e consegue realizar manobras em alta velocidade, ampliando a dificuldade para as defesas aéreas ucranianas.

A evolução estrutural foi necessária para aguentar a potência extra dos motores turbojato. O Geran-4 apresenta fuselagem e asas reforçadas, aberturas aerodinâmicas reduzidas e integração permanente das asas. O drone possui configuração para ogivas de 50 kg ou termobáricas de até 90 kg, com autonomia de 450 quilômetros e dimensões compactas.

Outro avanço é a presença de componentes modernos de comunicação, como modems GSM e de rede mesh também originários da China, além de câmeras multifuncionais, capazes de operar em diferentes condições de luz. Esses aprimoramentos conectam os drones e aumentam a consciência situacional dos operadores, aproximando cada vez mais o Geran-4 de mísseis de cruzeiro de baixo custo.

Análises feitas pelo Center for Strategic and International Studies (CSIS) mostram uma crescente substituição de componentes iranianos por chineses nos drones russos, incluindo itens eletrônicos e de navegação. Embora não haja comprovação de fornecimento direto do governo chinês à indústria russa, a constatação da presença de peças comerciais da China realça uma nova dimensão da guerra tecnológica no leste europeu.

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Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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