EASA propõe sistema obrigatório de monitoramento de desempenho de decolagem em grandes aviões a partir de 2033

A Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) anunciou uma proposta que poderá transformar significativamente a segurança operacional na aviação comercial. Publicada em setembro, na Opinion No 07/2026, a medida sugere que, a partir de 2033, aviões de grande porte recém-certificados e ainda em produção passem a incorporar o TOPMS (Take-Off Performance Monitoring System), sistema de monitoramento de desempenho de decolagem.

O objetivo do TOPMS é reduzir riscos decorrentes de erros na configuração da aeronave, cálculos incorretos de performance e posicionamento inadequado na pista no momento da decolagem. Entre as situações que o sistema busca evitar estão decolagens com velocidade ou potência inadequadas e início da corrida em pontos diferentes dos previstos nos cálculos, fatores que podem resultar em acidentes, saídas de pista e até colisões.

A EASA propõe que o TOPMS funcione em três camadas, chamadas de F1, F2 e F3:

F1: Verifica os parâmetros de decolagem inseridos no sistema de bordo. Caso dados errados sejam detectados no FMS (sistema de gerenciamento de voo), a tripulação será alertada.

F2: Garante que a aeronave esteja posicionada e orientada corretamente na pista antes do início da corrida de decolagem.

F3: Monitora, em tempo real, o desempenho real da aeronave enquanto ela acelera na pista, comparando os dados observados com os valores previstos. Caso haja divergências, o sistema alerta a tripulação imediatamente.

Para projetos de novas aeronaves de grande porte, as funções F1 e F2 passarão a ser exigidas. Já a F3, mais avançada e custosa, será obrigatória apenas para determinados tipos de aviões classificados pela EASA como “large transport aeroplanes”. Turboprops regionais, jatos executivos menores e alguns modelos VIP derivados não serão englobados nesse requisito mais estrito.

Segurança reforçada e impacto econômico reduzido – A intenção da EASA é que as funções do TOPMS evitem até 90% dos incidentes relacionados a erros de desempenho e posicionamento durante a decolagem, segundo estudos que embasam a regulamentação. Embora alguns fabricantes já adotem soluções semelhantes, a padronização e obrigatoriedade do sistema são consideradas avanços importantes para a indústria.

O impacto financeiro estimado é modesto diante do porte do setor, com custos de desenvolvimento e certificação entre € 5 milhões e € 8 milhões por tipo de aeronave. Para as companhias aéreas, o efeito adicional será basicamente voltado ao treinamento das tripulações e atualização de procedimentos, considerado mínimo pela agência europeia.

Regra ainda em análise – A proposta segue em tramitação na EASA e depende de etapas formais no processo regulatório europeu. Se aprovada até o fim de 2026, os requisitos começarão a vigorar para aviões produzidos a partir de 2033. Não há previsão de aplicação universal para aeronaves já em serviço, mas aviões certificados e ainda em produção poderão ser afetados pela regra após o prazo estipulado.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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