Embraer encerra o segundo dia de Farnborough como a grande campeã, revertendo o placar de Le Bourget

A Embraer finalizou esta terça-feira (21) vivendo um grande momento, como há muito tempo não se via em feiras internacionais, revertendo o balde de água fria do ano passado em Paris.

Enquanto o setor aeronáutico ainda mantém as tradicionais feiras, sendo as mais importantes o Farnborough Air Show e o Salão de Le Bourget, que se alternam a cada ano, dividindo os holofotes da indústria entre Londres e Paris, respectivamente, a Embraer fazia vários anúncios fora desses eventos, o que certamente não é menos relevante, mas tirava um pouco a fabricante brasileira da “briga saudável” que ocorre todos os anos, com pessoas do setor tentando premeditar quem sairá “campeã” no fim da semana.

No ano passado, que, por ser um ano ímpar, significou a realização do Salão de Le Bourget em junho, a Embraer teve pedidos importantes, porém de clientes já existentes. Principalmente, levou um balde de água fria da LOT, uma das duas únicas companhias no mundo a operar simultaneamente todos os modelos de seus aviões, e que decidiu substituí-los por jatos Airbus A220, seu concorrente direto, como mostramos aqui em primeira mão, com detalhes exclusivos diretamente de Paris.

Mas o vento virou e, desde então, a Embraer tem acumulado um bom histórico, o que já era antecipado pelo seu CEO, Francisco Gomes Neto, que, ainda na França, revelou ao AEROIN que teríamos boas notícias “vindas dos EUA“, com o acordo com a Avelo sendo fechado em seguida, sucedido pelo da LATAM Brasil no mesmo mês, em setembro de 2025.

O que não se esperava é que, em Farnborough, a empresa brasileira tivesse uma onda de pedidos fechados e figurasse entre os líderes de vendas diárias pela primeira vez em vários anos. Nesta terça-feira, a empresa fechou a venda de 55 novos aviões, além de 30 conversões de E-Jets de primeira geração de passageiros para cargueiros, sendo o maior destaque, naturalmente, o pedido do Grupo Abra, controlador da GOL.

No mesmo dia, a Airbus teve apenas duas encomendas, totalizando 13 aeronaves vendidas, enquanto a Boeing registrou quatro encomendas, somando 30 aviões vendidos.

Obviamente, não se podem desconsiderar os números de segunda-feira, com pedidos expressivos para as duas maiores fabricantes, mas, de fato, a Embraer conquistou seu lugar no pódio nesta terça-feira. Isso sem contar que os anúncios do setor de Defesa não envolveram a venda de novas aeronaves, apesar do ótimo momento vivido pelo KC-390, que se consolidou como um dos líderes de vendas em sua categoria.

Outro ponto a destacar é que, apesar de a Airbus ter vendido muitos aviões A320neo e A350XWB, não foi registrado sequer um pedido para o A220, concorrente direto da Embraer, apesar do recente “gol” com a mega encomenda da Air Asia, desbancando o E195-E2.

A feira vai até sexta-feira, mas, para quem atua no setor, ela praticamente termina nesta quarta-feira, quando anúncios de pedidos e acordos ainda ocorrem, porém em ritmo mais lento e já em clima de encerramento. Até o fim desta terça-feira, nenhuma das três grandes fabricantes havia marcado no calendário qualquer anúncio, mas isso pode mudar quando o dia amanhecer.

Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

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