Embraer vê demanda por versão de Guerra Eletrônica do KC-390, que pode surgir junto a empresa israelense

Imagem conceito do KC-390 na versão EW | Criada digitalmente por AEROIN – Reprodução Proibida

EXCLUSIVO – A Embraer tem visto um aumento na demanda pelas versões especializadas do KC-390 e confirma um rumor que surgiu no início do ano sobre uma versão especializada da maior aeronave já fabricada no hemisfério sul.

No final de fevereiro, durante o Singapore Air Show 2026, o estande da companhia israelense Elbit Systems chamou a atenção por uma maquete do KC-390 da Embraer com algumas modificações externas que até então eram inéditas.

Os detalhes foram observados pelo jornalista Robert Wall, da Aviation Week, e coincidem em parte com um vídeo que havia sido divulgado em janeiro pela própria Elbit, que é parceira da Embraer na empresa AEL Sistemas, fornecedora de longa data da fabricante brasileira e responsável pela fabricação de todos os displays dos novos caças Gripen NG.

A principal diferença era um pod (casulo) na região ventral da aeronave, próximo da porta dianteira e do trem de pouso, na parte inferior da fuselagem. Este pod, em algumas imagens, está projetando um feixe de laser ilustrativo, apontando a função de ISR, sigla em inglês para inteligência, vigilância e reconhecimento.

Esta função seria acoplada às funções EW e SIGINT, respectivamente siglas para Guerra Eletrônica e Inteligência de Dados e Sinais. Porém, desde a divulgação da maquete e das imagens da Elbit, pouco se falou no assunto, mas detalhes foram revelados na última semana.

Durante entrevista coletiva, o AEROIN questionou os desenvolvimentos futuros do KC-390, além da versão de patrulha marítima (MPA), sobre a qual demos detalhes exclusivos anteriormente.

Porém, outros detalhes também foram apresentados por Márcio Monteiro, vice-presidente de Inteligência de Mercado da Embraer Defesa & Segurança: “Nós temos uma demanda grande da nossa força de trabalho de engenheiros, devido às diferentes configurações que o KC-390 está tendo para diferentes aplicações, é uma grande aeronave“.

Estas versões também incluem a configuração médica encomendada pelos Países Baixos, visando à evacuação de pessoal em tragédias climáticas, por exemplo. “Também vemos uma demanda hoje por uma versão EW da aeronave“, apontou o executivo.

Apesar de a citação ser breve e também não ser muito conclusiva, ela aponta que a Embraer analisa, junto de fornecedores, parceiros e operadores, uma versão voltada para a Guerra Eletrônica, que, com as informações disponíveis hoje, seria algo próximo do que já é encontrado em jatinhos executivos de inteligência, apelidados de “war bizzjets” pelo público especializado e por profissionais do setor de defesa.

Neste nicho, hoje estão disponíveis as plataformas L3Harris EA-37B Compass Call (Gulfstream G550 modificado a pedido da Força Aérea Americana), o francês Dassault Falcon 8X Archange (foto abaixo) e o turco Hava SOJ, feito a partir do Bombardier Global 6000.

O que estas plataformas têm em comum são sensores, principalmente antenas, que captam sinais emitidos pelo inimigo, fazendo a interpretação dos mesmos e também emitindo “contra-sinais” para embaralhamento de aparelhos e equipamentos adversários, o que é chamado de guerra eletrônica. Outra função realizada em conjunto é a vigilância e o processamento de dados, tanto visuais quanto sonoros e em frequências de rádio, construindo um espectro de informações que são passadas para o comando de controle e batalha.

Cada vez mais estas aeronaves são necessárias no campo de batalha moderno, dominado por uma grande quantidade de tecnologia embarcada em armamentos cada vez menores, especialmente drones. Isso é comprovado pelas plataformas citadas anteriormente, feitas por países da OTAN: a mais antiga voou pela primeira vez em 2024, ou seja, há menos de dois anos, sendo uma capacidade que ainda está sendo desenvolvida, testada e utilizada por um seleto grupo de países, e ainda não disponível no Oriente.

Vale lembrar que a Embraer tem focado em sistemas roll-in roll-out, ou seja, que podem ser colocados e retirados do KC-390. Porém, uma versão EW exigiria modificações permanentes, ainda que não anulassem outras capacidades do avião, como lançamento de cargas ou paraquedistas, busca e salvamento e reabastecimento aéreo, podendo inclusive melhorar estas missões e também limitar algumas, a depender, claro, dos objetivos e da configuração a serem aplicados no jato.

Porém, caso o projeto prossiga, seria a primeira vez que, de fato, uma empresa de um país não membro da OTAN estaria desenvolvendo essa tecnologia, ainda que seja em demanda para um país do bloco ou em conjunto com aliados da aliança.

Receba as notícias em seu celular, clique para acessar o canal AEROIN no Telegram. Conheça também nossos perfis no Instagram e no Facebook, e nosso canal no WhatsApp.

Lindas miniaturas metálicas – clique aqui para conferir todas

Luminária LED 3D avião – Clique aqui para mais detalhes

Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

Veja outras histórias

Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA) apresenta seu...

0
Mais que uma série de dados, este relatório busca ser uma ferramenta concreta e uma referência técnica para mídia, autoridades, parceiros do setor e