
Uma solução inspirada em um dos maiores desafios logísticos do Brasil poderia transformar o transporte na Amazônia. É no que acredita o engenheiro mecânico Lucas Guimarães e Souza, de 31 anos, desenvolveu o Volitan, um veículo conhecido como “barco voador” que utiliza princípios da engenharia aeronáutica para conectar comunidades isoladas de forma mais rápida, segura e sustentável.
Natural de Manaus, Lucas levou a experiência de quem conhece de perto a realidade amazônica para São José dos Campos, onde encontrou o ambiente ideal para transformar uma ideia em inovação.
Em 2018, mudou-se para a cidade para cursar o mestrado em Engenharia Aeronáutica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Atualmente, além de mestre e doutorando, é um dos fundadores da startup AeroRiver, responsável pelo desenvolvimento da tecnologia.
Segundo o engenheiro, a motivação surgiu da dificuldade histórica de mobilidade na região amazônica. “As cidades não são ligadas por estradas, o transporte aéreo é caro e a população depende basicamente de barcos. Mas são veículos lentos e, em algumas épocas do ano, os rios ficam intransitáveis por causa da seca“, explica.
Foi a partir dessa realidade que Lucas, ao lado dos empreendedores Felipe Bortolete e Túlio Duarte, criou a AeroRiver com o objetivo de desenvolver uma alternativa capaz de superar as limitações da infraestrutura existente sem exigir grandes intervenções ambientais.
O resultado foi o Volitan, um veículo que combina características de embarcações e aeronaves ao utilizar o chamado efeito solo, fenômeno aerodinâmico que permite voar a poucos metros da superfície da água com menor resistência do ar e maior eficiência energética.
Projetado para transportar até dez passageiros ou uma tonelada de carga, o Volitan pode alcançar velocidades de até 150 km/h, reduzindo significativamente o tempo de deslocamento entre comunidades ribeirinhas e centros urbanos.
A proposta é facilitar o acesso da população a serviços essenciais, como hospitais, escolas e centros comerciais, mesmo durante períodos de seca severa, quando a navegação convencional se torna limitada.
Além dos benefícios para a mobilidade, a AeroRiver destaca o potencial ambiental da tecnologia. De acordo com a empresa, o veículo emite até 40% menos dióxido de carbono em comparação com aeronaves convencionais e elimina a necessidade da construção de novas estradas na floresta, reduzindo os impactos sobre o bioma amazônico.
O projeto já conta com um protótipo funcional, e a startup trabalha atualmente na construção da versão em escala real, que deverá ser concluída ainda em 2026 em São José dos Campos, cidade considerada um dos principais polos da indústria aeroespacial brasileira.
O desenvolvimento da tecnologia também chamou atenção internacional. Em agosto de 2025, Lucas foi um dos 18 brasileiros escolhidos para receber o prêmio Innovators Under 35, concedido pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). A premiação reconhece jovens empreendedores cujas soluções apresentam potencial para gerar impacto significativo na sociedade e já destacou nomes como Mark Zuckerberg, fundador da Meta, e Larry Page, cofundador do Google.
“Foi uma grande honra receber esse prêmio. Mais do que um título, é um incentivo para continuarmos acreditando que a tecnologia pode transformar realidades e melhorar a vida das pessoas“, afirma o engenheiro.
Embora o foco inicial do Volitan seja atender às necessidades da Amazônia, Lucas destaca que o desenvolvimento ocorre em São José dos Campos graças ao ecossistema de pesquisa, inovação e tecnologia disponível na cidade.
A expectativa da AeroRiver é que a inovação ajude a reduzir o isolamento de milhares de pessoas que vivem na região amazônica, oferecendo uma nova alternativa de transporte capaz de encurtar distâncias, ampliar o acesso a serviços essenciais e demonstrar como a engenharia pode contribuir para solucionar desafios históricos de mobilidade.
Com informações da Prefeitura de São José dos Campos
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