
Mais alcance para reconhecer alvos e maior precisão para atuar. Com esse objetivo, a Força Aérea Brasileira (FAB) realizou, entre os dias 6 e 8 de outubro, na Base Aérea de Anápolis (BAAN), os primeiros voos do F-39 Gripen equipado com dois novos sistemas: RECCELITE e Litening. A atividade faz parte do processo de evolução operacional do caça e da incorporação de novas capacidades voltadas à defesa e à soberania nacional.
Os voos integraram os Testes de Aceitação em Solo e em Voo (SAT, do inglês Site Acceptance Test) dos dois equipamentos, instalados externamente na aeronave. Além das avaliações em voo, a etapa incluiu o recebimento e a verificação das estações e dos equipamentos de solo, bem como testes de conectividade e de integração dos sistemas ao caça.
As atividades contaram com a participação de militares da FAB e de representantes das empresas Embraer, Saab e Rafael, fabricante dos equipamentos. O trabalho conjunto teve como objetivo verificar o funcionamento dos sistemas e validar sua integração ao F-39 Gripen, preparando a aeronave para ampliar suas capacidades operacionais.
RECCELITE e Litening
Embora tenham aparência semelhante, os dois sistemas desempenham funções distintas e complementares. O RECCELITE é voltado ao reconhecimento aéreo e permite captar imagens de alta resolução a grandes distâncias, fornecendo informações estratégicas para o planejamento e a execução de operações. Já o Litening amplia a capacidade de detectar, identificar e acompanhar alvos, além de permitir sua designação por laser para o emprego de armamentos guiados de precisão.
Desenvolvido para missões de inteligência, vigilância e reconhecimento, o RECCELITE utiliza sensores eletro-ópticos e infravermelhos para obter imagens durante o dia e à noite. Entre suas capacidades está o monitoramento de extensas áreas, com a coleta de informações detalhadas sobre o terreno e pontos de interesse.
O sistema também permite transmitir e processar dados em tempo real. Dessa forma, as imagens captadas durante o voo podem ser acompanhadas e analisadas em estações de solo, contribuindo para a consciência situacional e para a tomada de decisões durante as operações.
O Litening, por sua vez, combina sensores de alta resolução, câmeras infravermelhas e recursos de rastreamento para detectar e acompanhar alvos a grandes distâncias, inclusive em condições de baixa luminosidade. O equipamento também dispõe de um sistema de designação por laser, que permite orientar armamentos compatíveis contra os alvos identificados, aumentando a precisão dos ataques. Seus recursos ainda auxiliam no acompanhamento de alvos em movimento e na avaliação dos resultados das missões.
“Em uma missão de reconhecimento, não é apenas o voo que será o principal fator do cumprimento da missão. Existe, também, um planejamento realizado pelos nossos operadores da estação de solo e, após o voo, ainda são realizadas análises das imagens obtidas para que a FAB consiga a informação estratégica que necessite. Nesse sentido, um diferencial dos novos equipamentos que estamos recebendo e testando são, principalmente, a capacidade de datalink, que permite ao operador acompanhar em tempo real ao longo do voo o cumprimento da missão; e o recebimento de imagens também em tempo real, permitindo uma análise de toda a inteligência que está sendo coletada pela aeronave”, destacou o Tenente Engenheiro Nickolas Batista Mendonça Machado, responsável pela equipe técnica da FAB envolvida nos testes.
Fortalecimento da Defesa Nacional
Os testes realizados na BAAN representam uma etapa necessária para verificar a integração dos equipamentos ao F-39 Gripen, o funcionamento das estações de solo e a adequação dos procedimentos operacionais. A fase de avaliações prepara o caminho para a evolução dessas capacidades, com avanços previstos ao longo de 2027.
A incorporação do RECCELITE e do Litening amplia as possibilidades de emprego do caça em missões de reconhecimento e ataque de precisão. Com a combinação de recursos de coleta de informações, acompanhamento de alvos e designação a laser, o F-39 Gripen avança na consolidação de suas capacidades multifuncionais, contribuindo para o fortalecimento do Poder Aeroespacial Brasileiro e da capacidade de dissuasão do país.
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