Flybondi enfrenta novas penhoras e restrições em meio à maior crise da sua história

Divulgação – Flybondi

A companhia aérea low-cost Flybondi completa 35 dias sem operar voos, em meio a uma grave crise econômica e financeira que afeta sua continuidade.

Além de não vender passagens, sua plataforma de vendas online está fora do ar mais uma vez, refletindo o cenário de instabilidade enfrentado pela empresa desde sua fundação em 2018, quando despontou como o principal nome do modelo de companhias aéreas de baixo custo na Argentina.

Na última semana, a Flybondi sofreu novas decisões judiciais determinando bloqueios e penhoras de ativos. As medidas ocorrem em meio a múltiplas reclamações de credores e ao descumprimento de obrigações fiscais e trabalhistas.

Recentemente, a empresa já enfrentava um bloqueio devido a uma dívida de cerca de 1,5 bilhão de pesos para com a ARCA e outro valor próximo a 2 bilhões de pesos em débitos relacionados à Administração Nacional de Aviação Civil (ANAC), referentes a taxas aeroportuárias não pagas.

Novas ações judiciais impulsionaram mais restrições. No Tribunal Comercial Nº 24, o juiz Guillermo Pesaresi autorizou o bloqueio das contas bancárias da Flybondi após uma ação movida pela empresa La Nueva Metropol, que cobra uma dívida de 186 milhões de pesos por serviços não pagos de transporte de apoio em aeroportos e deslocamento de passageiros. A companhia tentou efetuar um pagamento de apenas 5,5 milhões de pesos, equivalente a 3% do valor cobrado, que foi recusado.

Outra ação levada ao tribunal partiu da fabricante Seal Siher, que forneceu peças de segurança para os carrinhos de bagagem e cuja dívida supera os 13 milhões de pesos.

O processo inclui um pedido de falência da Flybondi, o quarto da empresa, ainda sem julgamento definitivo. O juiz também ordenou o congelamento geral dos bens da companhia, descrevendo a situação como “grave” e ressaltando a inadimplência em questões fiscais, trabalhistas e financeiras.

Paralelamente, a empresa enfrenta forte pressão interna. Mais de 900 trabalhadores foram dispensados por meio de demissões e planos de aposentadoria voluntária, sem que parte dos pagamentos tenha sido efetuada.

Recentemente, surgiram denúncias de novas demissões e de tentativas da Flybondi de transferir parte do seu pessoal para a empresa OCA, também controlada pelo mesmo grupo empresarial, como estratégia para sobreviver à crise.

Enquanto isso, o sindicato Flybondi Aeronautical Workers Association (ATAF), responsável pela representação oficial dos trabalhadores da empresa, é criticado por ex-funcionários por uma postura considerada conivente com a gestão da companhia, causando medo entre os trabalhadores em relação à sindicalização independente.

Outras entidades aeronáuticas argentinas, como a Associação Argentina de Tripulantes de Cabine (AAA) e a Associação dos Pilotos de Linha Aérea (APLA), também manifestaram preocupação sobre a precariedade nas condições de trabalho geradas pelo modelo vigente na Flybondi.

A ANAC da Argentina, até o momento, limitou-se a aplicar multas financeiras à Flybondi e não proibiu a comercialização de passagens, diferentemente da autoridade regulatória brasileira, que suspendeu a venda de bilhetes da companhia para voos com origem ou destino no Brasil após o cancelamento de praticamente todas as rotas na última julho.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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