Greve histórica de comissários paralisa voos e deixa milhares de passageiros da WestJet no chão

Foto: Anna Zvereva, CC

A WestJet, segunda maior companhia aérea do Canadá, teve que cancelar todos os seus voos após os comissários de bordo entrarem em uma greve histórica em protesto contra a falta de pagamento pelas horas trabalhadas em solo.

A paralisação, iniciada à meia-noite do dia 2 de agosto, resultou no cancelamento de centenas de voos e deixou dezenas de milhares de passageiros retidos.

O conflito, mediado pelo Sindicato Canadense dos Empregados Públicos (CUPE), teve início após meses de negociações fracassadas acerca da remuneração dos comissários pelo tempo que passam em atividades em terra, como embarque, desembarque e atrasos. Tradicionalmente, a WestJet remunera seus comissários apenas pelas horas voadas, chamadas de “block hours”, do momento da decolagem até o pouso.

Em julho, mais de 99% dos 4 mil comissários da empresa votaram a favor da greve, em uma das maiores taxas de adesão da história sindical do setor. Pesquisas indicam que a maioria da população canadense apoia a reivindicação por pagamento pelos períodos em solo, e acredita que a WestJet tem condições financeiras para arcar com esses custos.

Para evitar que os funcionários cruzassem a linha de piquete, a empresa declarou “lockout”, suspendendo o pagamento durante o período da greve. A companhia também cancelou voos antecipadamente para preparar a frota para a paralisação.

A WestJet afirma que apresentou uma proposta que incluiria um aumento médio de 12% nos salários anuais, além de reajustes em diárias, férias, políticas de maternidade e programas de flexibilidade, mas que as ofertas não foram aceitas pelo sindicato.

O governo canadense possui autoridade para intervir e obrigar os trabalhadores a retornarem, mas optou por não atuar diretamente no conflito, possivelmente influenciado pelo histórico recente da greve da Air Canada, quando a intervenção enfrentou resistência.

Para os passageiros afetados, a legislação vigente não obriga a empresa a oferecer compensações financeiras, já que greves são consideradas causas fora do controle da companhia. Entretanto, a WestJet disponibiliza opções de reembolso ou remarcação gratuita para os voos cancelados.

O desfecho da disputa ainda é incerto, e a duração da greve dependerá dos avanços nas negociações entre sindicato e empresa.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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