
Os trabalhadores das fábricas da Airbus na Espanha estão mantendo a greve por tempo indeterminado enquanto aguardam a retomada das negociações.
A direção da empresa solicitou que as reivindicações dos sindicatos fossem apresentadas por escrito e, na sequência, colocou uma proposta sobre a mesa que prevê reajuste salarial vinculado ao IPC e a recuperação dos valores descontados durante períodos de incapacidade temporária.
O comitê de negociação, formado por representantes da empresa e dos sindicatos UGT, CGT, UTIL, CCOO, SIPA e ATP-SAE, voltará a se reunir amanhã, quinta-feira, na sede do Serviço Interconfederal de Mediação e Arbitragem (SIMA).
A reunião realizada ontem foi suspensa a pedido da Airbus para que a empresa pudesse analisar as reivindicações dos trabalhadores, segundo comunicado divulgado pela UGT.
Durante o último encontro, Carmen Maja-Rex, diretora global de Recursos Humanos da Airbus, apresentou um documento com os compromissos trabalhistas específicos propostos pela fabricante. A empresa ofereceu um reajuste geral baseado na inflação real, além de um adicional de 5% para a recuperação do poder de compra no período entre 2026 e 2027.
A proposta também prevê a destinação de 0,5% adicionais para revisões salariais individuais e outros 0,5% para promoções, de acordo com informações divulgadas pelo sindicato, informou o Aviacionline.
A Airbus ainda propôs manter a validade do acordo coletivo de trabalho para o Projeto Bromo e para o centro industrial de Cádiz, além de preservar a antiguidade dos funcionários transferidos para a operação conjunta Espacio, sem a aplicação de novos períodos de experiência.
A direção também confirmou a retirada do recurso apresentado ao Supremo Tribunal em relação aos subsídios por incapacidade temporária e se comprometeu a devolver, já na próxima folha de pagamento, os valores que haviam sido descontados dos trabalhadores.
A greve prolongada, que chegou a registrar 90% de adesão em grandes instalações operacionais, como a unidade de Getafe, levou a Airbus a alertar que poderá suspender todas as contratações planejadas na Espanha caso a paralisação não seja encerrada, segundo a Cadena SER.
A fabricante considera fundamental o fim do conflito para evitar impactos nas entregas de aeronaves comerciais e no desenvolvimento da cadeia de suprimentos do setor aeroespacial no país.
“Chegou a hora de assumir a responsabilidade, negociar de boa-fé e a empresa demonstrar que deseja tratar nós, que trabalhamos na Airbus, com a dignidade que merecemos”, afirmou a UGT em comunicado. “Exigimos negociação, não distrações”, acrescentou o sindicato.
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