Helicóptero que caiu em SP estava irregular e pode ser do PCC, e piloto ex-FAB já foi preso por tráfico de drogas

O piloto envolvido no acidente deste final de semana com um helicóptero Agusta A109 é um velho conhecido da polícia e já foi preso por tráfico de drogas.

A queda da aeronave de matrícula PT-YBL em Iaras, no oeste do estado de São Paulo, chamou a atenção das autoridades. O primeiro fato é que este helicóptero está com o Certificado de Aeronavegabilidade vencido desde 2019, ou seja, não pode voar desde então, mas, segundo dados da ANAC, a propriedade da aeronave foi transferida em 2021 para Valdir Gabriel da Silva, que morreu num acidente de carro no ano seguinte, em 2022.

Após o resgate das vítimas, foi verificada a identidade delas, e o piloto apresentou um documento divergente. Após uma pesquisa mais detalhada, a Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) constatou que o nome verdadeiro dele era José Tadeu dos Santos.

José já foi preso mais de uma vez por tráfico internacional de drogas, utilizando exatamente helicópteros vindos do Paraguai, tendo cumprido mais de 15 anos de prisão, sendo a pena mais recente cumprida no Ceará após ser preso com 200 kg de cocaína numa aeronave, e a primeira por homícido cometido durante uma tentativa de assalto de um helicóptero em pleno voo. Após a detenção pela Polícia do Ceará ele chegou a dar uma entrevista detalhando como funcionavam os voos do tráfico:

Na sua captura no Ceará, o piloto foi detido junto de um membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), Fabrício Guedes da Silva, que estaria envolvido em execuções e inclusive foi morto em julho de 2023 após ser atacado a tiros durante seu trabalho num comércio local.

Aparentemente, José Tadeu também não tinha licença de piloto de helicóptero concedida pela ANAC, e sua experiência formal de voo é oriunda da Força Aérea Brasileira (FAB), mas detalhes sobre o serviço militar dele são escassos.

Agora, a PMESP trabalha com a suspeita de que a aeronave estava sendo utilizada para possivelmente buscar drogas na região de fronteira, já que partiu de Guararema, na Grande São Paulo, e tinha como destino Londrina, no interior do Paraná, e, somado ao fato de que o helicóptero estava irregular e o piloto tem uma extensa ficha criminal, existe a possibilidade de o A109 ser, na verdade, do próprio PCC.

Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

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