
Conhecido mundialmente pelo pouso de emergência do voo US Airways 1549 no rio Hudson, em 2009, o comandante Chesley “Sully” Sullenberger, de 75 anos, anunciou nesta terça-feira (14) que foi diagnosticado com Alzheimer em estágio inicial.
Em um comunicado divulgado ao público, Sully afirmou que a doença ainda está no começo e descreveu alguns dos primeiros sintomas, como dificuldade ocasional para lembrar nomes, repetição de histórias recentemente contadas e alterações no sono.
“Recentemente descobri que fui diagnosticado com a doença de Alzheimer. Está em estágio inicial. Por enquanto, isso significa que um nome pode não vir facilmente à minha memória, que eu posso esquecer uma história que contei recentemente ou não dormir tão bem, mas estou apenas no início desta longa jornada“, afirmou.
Sullenberger disse que, após conversar com seu médico, Gil Rabinovici, do Centro Médico da Universidade da Califórnia em San Francisco (UCSF), passou a compreender melhor a dimensão da doença, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, independentemente da idade.
Segundo o piloto, ele e sua esposa, Lorrie, refletiram sobre como lidar publicamente com o diagnóstico. Após uma carreira dedicada ao serviço público e à segurança da aviação, Sully afirmou que decidiu tornar a informação pública para incentivar outras famílias a falarem abertamente sobre o Alzheimer.
“Passei minha vida servindo, na Força Aérea dos Estados Unidos, como piloto de companhia aérea, investigador de acidentes e embaixador dos Estados Unidos na Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO). Esta nova fase da minha vida me fez refletir sobre o que significa continuar servindo. E a resposta é falar sobre isso“, escreveu.
Ao longo da carreira, Sullenberger também se destacou pela atuação em defesa do aprimoramento da segurança aérea, defendendo medidas como o aumento do treinamento de pilotos, períodos adequados de descanso para as tripulações, a manutenção da exigência de dois pilotos na cabine e a adoção de novas tecnologias.
O comandante ganhou projeção internacional em 15 de janeiro de 2009, quando realizou um pouso de emergência no rio Hudson após um Airbus A320 da US Airways colidir com um bando de aves logo após decolar de Nova York. A manobra permitiu que todas as 155 pessoas a bordo sobrevivessem, episódio que ficou conhecido como o “Milagre no Rio Hudson”, retrado no filme de 2016 estrelado por Tom Hanks, Sully: O Herói do Rio Hudson, que foi um sucesso de bilheteria.
Na mensagem, Sully também relembrou a esperança transmitida pelo desfecho daquele acidente e disse que pretende enfrentar o novo desafio com a mesma determinação.
“Embora isso possa afetar minhas lembranças do passado, esse diagnóstico não me impedirá de olhar para o futuro e valorizá-lo. Vou enfrentar este novo capítulo ao lado da minha maravilhosa família“, afirmou.
Ao encerrar o comunicado, o ex-piloto retomou uma frase que costuma utilizar ao falar sobre o voo 1549: “Durante anos, quando me perguntavam sobre o sucesso do voo 1549, eu dizia que ‘a coragem pode ser contagiante’. Naquele dia, ela ajudou todos a se unirem para retirar todas as pessoas do avião em segurança. Agora precisamos dessa mesma coragem para enfrentar esta doença. Faço parte de uma comunidade muito maior, e seremos corajosos juntos“, concluiu.





