
A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) criticou com veemência a repetição de falhas técnicas no sistema de controle do tráfego aéreo britânico operado pela NATS, que resultaram na suspensão de mais de 2.000 voos em apenas dois dias e deixaram centenas de milhares de passageiros afetados.
Para a entidade, três interrupções em quatro anos já não podem ser atribuídas a azar, exigindo ações concretas e rápidas por parte dos responsáveis, como relatou o Aviacionline.
O último problema começou na tarde de terça-feira, 8 de setembro, quando a NATS detectou uma falha em seu sistema de processamento de voos no centro de Swanwick, limiteando severamente as decolagens em aeroportos importantes como Heathrow, Gatwick, Manchester e Stansted.
Apesar de uma correção ter sido aplicada após cerca de três horas, a recuperação foi lenta, resultando em um segundo dia de cancelamentos e atrasos devido ao descompasso de aeronaves e tripulações.
Segundo dados da empresa de análise Cirium, cerca de 1.750 voos foram cancelados na terça-feira, o equivalente a aproximadamente 30% das operações previstas no Reino Unido, totalizando mais de 2.000 cancelamentos em duas jornadas e impactando cerca de 300 mil passageiros.
Efeitos em cascata chegaram a distúrbios em toda a Europa. Autoridades descartaram a hipótese de ataque cibernético, e o CEO da NATS, Martin Rolfe, garantiu que a pane foi distinta da ocorrida em 2023.
Este episódio representa a terceira grande falha técnica da NATS em quatro anos. Em agosto de 2023, um problema causou transtornos para mais de 700 mil pessoas e prejuízos estimados entre 75 e 100 milhões de libras. Em julho de 2025, uma falha no radar gerou cerca de 150 cancelamentos. Investigações apontaram falhas em resposta técnica e comunicação.
A IATA e várias companhias aéreas criticam principalmente a repetição do problema, ressaltando que o controle de tráfego aéreo é uma infraestrutura crítica, e as consequências dos incidentes persistem dias após a resolução técnica.
As companhias precisam arcar com custos de assistência, realocação de tripulantes e aeronaves, somando milhões de libras, enquanto as regras atuais classificam tais eventos como “circunstâncias extraordinárias”, limitando a compensação aos passageiros.
Lara Maughan, representante da IATA para Reino Unido e Irlanda, enfatizou que “os custos devem recair sobre os responsáveis diretos, e não sobre quem sofreu as consequências”.
O governo britânico reagiu prontamente. A ministra dos Transportes, Heidi Alexander, solicitou um relatório da NATS em uma semana e uma investigação independente da Autoridade de Aviação Civil (CAA).
Apesar da crise, o premiê manteve a confiança no CEO Martin Rolfe. Paralelamente, um novo projeto de lei para reforçar os direitos dos passageiros está em tramitação no Parlamento, apoiado pela IATA, que demanda, porém, maior responsabilidade por parte dos provedores de infraestrutura.
Companhias como Ryanair e Wizz Air exigiram a renúncia de Rolfe e uma reforma estrutural da NATS, cujo capital é parcialmente estatal (49%). A British Airways foi uma das mais afetadas, cancelando ou desviando quase 300 voos em dois dias, enquanto a Ryanair estimou prejuízo de 3 milhões de libras devido a 260 cancelamentos.
A NATS pediu desculpas públicas, garantiu que a segurança não foi comprometida e prometeu investigação completa para identificar causas e implementar melhorias. No entanto, para a IATA, depois de três falhas relevantes em tão pouco tempo, o argumento de “má sorte” não é mais condizente. Passageiros e empresas exigem uma infraestrutura confiável e eficiente.
