Índia descarta voltar a comprar caças russos, incluindo o furtivo Su-57 Felon

O governo indiano descartou qualquer processo de compra de caças russos, afastando a possibilidade da segunda exportação do caça furtivo Sukhoi Su-57 Felon, o mais avançado no arsenal da Rússia.

Hoje operado apenas pela própria Rússia e recentemente exportado para a Argélia, o Su-57 enfrentou várias dificuldades em seu projeto, que começou em 2009 e só teve seu motor proprietário integrado neste ano de 2026, fazendo com que o avião utilizasse um propulsor menos eficiente herdado da família Flanker.

A própria Índia era parceira do projeto, conhecido então como PAK-FA, mas acabou desistindo em 2018, apontando que o caça não atenderia às necessidades do país. O Brasil também descartou participar do projeto durante a primeira fase do projeto FX-2. Desde então, a Índia tem focado em projetos nacionais, e isso será mantido, como informou o secretário de Defesa do país, Rajesh Kumar Singh.

Segundo o secretário informou ao portal India Today, o país não está considerando a aquisição de nenhum caça russo da Sukhoi, seja da família Flanker ou de outra. O questionamento surgiu após a Rússia oferecer novamente uma coprodução sem restrições do Su-57E no país, nos moldes em que é feita hoje a produção do Su-30MKI Flanker H, versão fabricada sob licença na Índia do Su-30, com modificações específicas para o país asiático.

A oferta da Rússia surgiu após a Índia enfrentar um impasse com a França para a produção local do caça Dassault Rafale, já em uso pelo país. Segundo relatos, os franceses teriam recusado uma parceria mais ampla para a futura montagem nacionalizada, restringindo o que pode ser modificado e o acesso aos códigos-fonte dos aviônicos, por exemplo.

Singh afirmou que é importante agora focar na modernização do Su-30MKI e em sua integração com o míssil de cruzeiro BrahMos, além de destinar recursos ao projeto AMCA (Aeronave de Combate Avançada de Médio Porte), que será o primeiro caça de quinta geração a ser fabricado no país.

Esse projeto ainda está na fase final de design, com a maioria dos fornecedores já definida, e inicialmente contará com o motor GE F414, o mesmo utilizado nos caças americanos Boeing F/A-18E/F Super Hornet e EA-18G Growler, no caça furtivo sul-coreano KAI KF-21 Boramae e também no sueco Saab JAS-39E/F Gripen, operado pela Força Aérea Brasileira. Esse motor também equipará futuramente o avião de caça leve HAL Tejas Mk2, que também está em desenvolvimento, porém em uma etapa mais avançada que o AMCA.

Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

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